
A investigação que apura as mortes suspeitas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta ganhou um novo capítulo. Letícia Mendes, filha da agente de políticas públicas em saúde Rosangela Mendes, 55 anos, registrou um boletim de ocorrência na última terça-feira (20/1) para investigar as circunstâncias da morte da mãe, ocorrida em janeiro de 2025. O movimento ocorre após a prisão dos técnicos de enfermagem — Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 — suspeitos de matar pacientes de forma deliberada.
Internada inicialmente para tratar uma pneumonia, Rosangela demonstrou um temor crescente durante a estadia na UTI. Segundo a família, ela chegou a confrontar a equipe sobre falhas em procedimentos, como medicações não informadas e problemas no manejo de sondas. "Ela ficou com muito medo, principalmente de ser intubada, e não queria ficar sozinha. Pouco antes de morrer, pediu que solicitássemos uma autópsia caso ela não resistisse", revela Letícia, que é fonoaudióloga.
Na época, o atestado de óbito apontou "sepse não especificada" e a família, abalada diante da perda, não seguiu com o pedido de exame cadavérico, decisão que hoje se tornou motivo de angústia para Letícia. "Desde que vi a notícia (das prisões), eu choro muito. Fica a dúvida: será que de fato abreviaram a vida da minha mãe?", questiona a filha.
Com o registro da ocorrência, o objetivo da família é cruzar os dados do prontuário médico e as imagens das câmeras de segurança para verificar se algum dos suspeitos detidos teve acesso direto a Rosangela. O hospital tem até 30 dias para fornecer o material.
Rosangela era funcionária do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) e apaixonada pela vida e pelos três netos. Para a filha, a investigação é o único caminho para o encerramento de um luto que foi reaberto. "Não busco culpados antecipadamente, busco respostas. Quero poder, como filha, ter paz", desabafa ao Correio.
Entre novembro e dezembro de 2025, Marcos Vinícius, na companhia de duas colegas de profissão, Amanda e Marcela, matou três pacientes internados na UTI, na "ilha 3" do Anchieta. As vítimas, a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75; o servidor dos Correios Marcos Moreira, 33; e o servidor da Caesb João Clemente, 63, receberam, na veia, altas dosagens de uma substância química e sofreram paradas cardíacas súbitas.
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