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Desigualdade estrutural é raiz da violência, diz pesquisadora

Socorro Souza, o Laboratório Contra Feminicídio do Distrito Federal, destaca desigualdades estruturais, a importância dos movimentos sociais e a autonomia econômica feminina

Socorro Souza, membro da Coordenação do Laboratório contra o Feminicídio do DF e pesquisadora da Fiocruz -  (crédito: Ed Alves)
Socorro Souza, membro da Coordenação do Laboratório contra o Feminicídio do DF e pesquisadora da Fiocruz - (crédito: Ed Alves)

A pesquisadora Socorro Souza, integrante da coordenação do Laboratório Contra Feminicídio do Distrito Federal e representante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — defendeu que o enfrentamento à violência contra as mulheres passa, antes de tudo, pelo reconhecimento das desigualdades estruturais que marcam a condição feminina na sociedade. Durante o evento Pela Proteção das Mulheres: um compromisso de todos, promovido pelo CB Debate, ela relembrou a trajetória no movimento feminista, marcada por uma experiência pessoal traumática. “Eu me engajei na luta feminista quando tive uma irmã que morreu de parto, aos 36 anos, depois de dois abortos inseguros e do abandono do parceiro”, relatou.

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A partir dessa vivência e do trabalho com populações historicamente oprimidas — como mulheres indígenas, agricultoras familiares e trabalhadoras rurais —, Socorro afirmou ter aprendido que não há uma única forma de vivenciar a desigualdade. “Trabalhar com proteção às mulheres exige escuta, reconhecimento das singularidades e das trajetórias distintas”, afirmou, ao destacar que muitas mulheres só se sentiram emancipadas ao conquistar autonomia financeira, como no acesso à aposentadoria rural.

Socorro também ressaltou o papel das instituições públicas na promoção da equidade, citando a Fiocruz como exemplo de transformação impulsionada pelo diálogo com a sociedade e por políticas afirmativas. Segundo ela, a presença de mulheres em cargos de liderança e a adoção de políticas institucionais de equidade fortalecem mudanças organizacionais e culturais. “Quem vive a opressão é quem propõe mudanças comportamentais e estruturais”, complementa .

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A pesquisadora reforçou que o enfrentamento à violência de gênero não pode se limitar à atuação do Estado ou da academia. Para ela, é fundamental aprender com os movimentos sociais e com as soluções construídas nos territórios. “Não dá para pensar um sistema de proteção sem ouvir as mulheres que vivem a violência no cotidiano”, afirmou, defendendo uma atuação integrada entre políticas públicas, instituições e comunidades.

Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos

O cenário da violência de gênero no Distrito Federal exige atenção urgente: em 2025, a capital registrou 11,3 mil casos de violência doméstica, uma média alarmante de 30 ocorrências por dia. O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, somado aos recentes casos que vitimaram uma adolescente e uma mulher idosa, reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas e de uma rede de apoio que funcione preventivamente.

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Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reúne grandes nomes como as ministras Marina Silva e Luciana Santos, além de magistradas e especialistas. O primeiro painel focará na responsabilidade institucional do Estado, enquanto o segundo debaterá a mobilização social e a mudança cultural necessárias para erradicar a violência contra a mulher.

Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)

» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)

» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.

Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):

» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)

» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)

» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468

» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615

Assista o CB.Debate:

 

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postado em 27/01/2026 14:51
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