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Racismo estrutural impacta acesso da população negra à saúde mental

Especialista aponta que desigualdades históricas, negligência institucional e falta de acesso ao cuidado agravam o sofrimento psíquico da população negra

Psicóloga - Ana Luísa Coelho -  (crédito: ED ALVES/CB/D.A Press)
Psicóloga - Ana Luísa Coelho - (crédito: ED ALVES/CB/D.A Press)

"A forma como a população negra é historicamente tratada no Brasil influencia diretamente o acesso ao cuidado em saúde mental e ajuda a explicar os dados que revelam maior vulnerabilidade a transtornos como ansiedade e depressão". A avaliação é da psicóloga, psicanalista e doutora em Psicologia Clínica Ana Luísa Coelho Moreira, antes da participação no evento Janeiro Branco: Diálogos sobre a saúde mental no Brasil, promovido pelo Correio Braziliense na manhã desta quinta-feira (29/1).

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Segundo a especialista, diversos fatores interferem na construção desses dados, desde a maneira como a população negra é considerada até o modo como é atendida pelo sistema de saúde.

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Além disso, a psicóloga aponta que a negligência institucional e a falta de acesso aos serviços de saúde mental agravam ainda mais o cenário. “Quando as pessoas negras se apresentam para serem cuidadas, há sempre um questionamento se é aquilo mesmo, se é uma veracidade naquilo que as pessoas estão falando”, disse.

De acordo com Ana Luísa, esse conjunto de fatores contribui para o adoecimento psíquico, refletindo em quadros recorrentes de sofrimento emocional. “Isso leva a uma série de questões como ansiedade, depressão e, infelizmente, leva ao autoextermínio”, afirmou.

Para a especialista, um dos caminhos possíveis para enfrentar esse cenário começa pelo reconhecimento do próprio sofrimento. “É muito importante a gente entender o que está acontecendo com a gente, conseguir nomear aquilo que vem. Muitas pessoas podem ter acesso, às vezes apenas assistindo, achando que estão vendo mais um programa e, de repente, pensar: ‘opa, eu acho que tem alguma coisa ali relacionada’”, destacou.

Para a psicóloga, garantir acesso a serviços de qualidade é essencial para que o cuidado em saúde mental seja efetivo. “Quando falamos de saúde mental, é importante a população poder reconhecer, nomear, buscar caminhos e também incitar que precisa de acesso de qualidade para a população conseguir se tratar, se cuidar e ficar de fato bem, ter um bem-estar na sua vida”, concluiu.

CB.Debate

Em alusão ao mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, o Correio promove, nesta quinta-feira (29/1), o CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do YouTube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

Além dos fatores de adoecimento mental e desafios na assistência, será discutida ainda a construção de espaços de escuta e cuidado. Entre os painelistas, autoridades, médicos e especialistas compõem o debate.

Leia também: Afastamentos por transtorno mental aumentam 79% em dois anos

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2024 e 2025, houve um aumento de 143% na quantidade de pessoas afastadas do trabalho por transtornos mentais, um cenário que pede atenção e responsabilidade por parte do governo e sociedade.

Assista o debate ao vivo:

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postado em 29/01/2026 10:27
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