
Os casos de transtorno mental — identificação, tratamento adequado e medicação — foram os assuntos debatidos pelo CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o psiquiatra Jorge Salim Risk explicou os principais sintomas do surto psicótico, e falou sobre a necessidade de avaliação caso a caso e o preconceito em torno da temática.
O que é o surto do ponto de vista científico?
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A nível técnico, o surto é um processo que geralmente ocorre quando a pessoa tem uma predisposição de alguma alteração psíquica e é colocado de uma maneira de um quadro psicótico. No caso depressivo, muitas vezes falam de um surto depressivo, mas na verdade é uma crise depressiva. A questão do surto geralmente é uma tendência mais progressiva, mas existem algumas situações em que pode ser o surto de uma maneira repentina, por vezes, questão de drogas ou outros tipos de substâncias, ou um fator traumático de uma forma intensa.
Existem casos de violência em que fala-se em surto e parece que a situação foi banalizada...
Muitas vezes, os advogados entram com isso até para tentar dar uma proteção para o cliente que seria, no caso, para tentar justificar aquele fator. Nem sempre é dessa forma. Em certas situações, há uma outra conotação, que pode estar associada a aspectos de personalidade. Nesse caso, exige-se uma avaliação, como o histórico da pessoa, os acontecimentos dos últimos tempos.
Às vezes, a pessoa pratica um crime, por vezes com pouca gravidade, mas usa de uma justificativa de estar sob tratamento psiquiátrico. Mas o tratamento que funciona não deveria fazer com que essas pessoas não praticassem esse tipo de ato?
Muitas vezes, independentemente do tratamento psiquiátrico, isso também não é uma questão aceita. A justificativa do tratamento psiquiátrico é muito mais uma questão do advogado de defesa, provavelmente, mas, em tratamento psiquiátrico, a pessoa pode estar com uma sensibilidade maior, pode estar com uma impulsividade maior, um nível de irritabilidade ou falta de tolerância maior, agora a pessoa teria logo a percepção de que algo de errado ela fez, então teria o controle no sentido da percepção, não no sentido de levar e continuar achando que não teve problema. Isso começa a ter uma outra conotação.
Existem algumas doenças psíquicas que ocorrem na fase de adolescência, ou na transição de adolescência para a vida adulta, como a esquizofrenia, e os pais ficam assustados. Então, é importante estar atento aos sinais. Isso ocorre em qualquer família…
Esses sinais, como alteração de comportamento, às vezes são um tipo de reação emocional diferente, o isolamento, às vezes, a pessoa está como se estivesse ouvindo algo ou conversando sozinha, ou, às vezes, rindo sozinha, ou ouvindo algo assim que seja engraçado. São sinais como se a pessoa estivesse até tendo uma alucinação, seja visual ou auditiva. Muitos surtos, como em casos de agressão, pode ser um comando da pessoa ter escutado uma voz de que era obrigada a fazer aquilo, fazer ou matar aquela pessoa, às vezes, até para a salvação da pessoa. Isso tecnicamente chamamos de surto propriamente, que é quando tem um quadro psicótico, seja esquizofrenia, seja paranoico, seja delirante, que faz com que a pessoa cometa alguma agressão ou tenha uma atitude que, se tivesse bem, não faria.
Com o diagnóstico, é possível controlar? Como é feito esse controle?
Principalmente quando é nesse nível, com esse tipo de quadro clínico psíquico, é com medicação. Muitas vezes, a gente quer que haja psicoterapia associada, mas é a medicação que vai controlar mais o equilíbrio neurofisiológico, que seria a questão dos neurotransmissores em nível do cérebro, do funcionamento direito do cérebro. Evitando que tenha delírios, evitando que tenha alucinações, fazendo com que a pessoa possa estar mais calma, diminuindo o nível de ansiedade, controlando a impulsividade ou a irritabilidade, e a medicação vai fazer isso.
Entra como desafio a adesão a esse tipo de tratamento…
A primeira visão ou a imagem que as pessoas têm é que, ao tomar um remédio psiquiátrico, vai ficar como se fosse robô, abobado, sem capacidade de nada. Isso está errado. Isso ocorre, muitas vezes, quando a dose está alta, mas, na dose normal, a pessoa, claro, inicialmente não vai estar no seu normal, mas com o passar do tempo, tem que estar dentro da normalidade ou dentro de um nível aceitável da pessoa estar produtiva, fazendo as coisas que precisa fazer, com os cuidados mínimos pessoais.

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