
Durante participação no primeiro painel de apresentação do CB. Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil, desta quinta-feira (29/1), o neurocientista Leandro Freitas de Oliveira comentou sobre os riscos da alta exposição às telas que a sociedade moderna vive. Além disso, ele afirma que os humanos vivenciam uma era de falta de comunicação real.
“Durante a pandemia, fomos afastados das interações e ficamos trancados em nossas casas”, afirmou Freitas. O professor cita uma pesquisa da empresa AirView que revelou que ficamos aproximadamente 5h30 por dia em frente ao celular. “Em uma vida, isso equivale a 16 anos que passamos em frente às telas. Somos o país que mais faz uso das redes sociais, isso tem um impacto enorme na saúde mental”, explicou.
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O especialista ainda afirmou que a comunicação e linguagem foram os fatores que permitiram que a espécie homo sapiens sapiens evoluísse e sobrevivesse durante muito tempo. “Somos um desastre biológico. Descobrimos que temos o poder da linguagem que as outras espécies não possuem”, afirmou.
Segundo o neurocientista, o assunto parece não se encaixar em discussões sobre saúde mental, entretanto, a falta de comunicação dificulta os tratamentos da mente. “Ao invés de falar que eu estou com raiva, eu mando um rostinho com raiva (emoji). Aonde tem emoji, há ausência de linguagem, e onde há ausência de linguagem, tem sofrimento psíquico. As pessoas estão adoecendo porque elas não conseguem sequer se comunicar”, ressaltou.
CB.Debate
Em alusão ao mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, o Correio promove, nesta quinta-feira (29/1), o CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do Youtube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.
Além dos fatores de adoecimento mental e desafios na assistência, será discutida ainda a construção de espaços de escuta e cuidado. Entre os painelistas, autoridades, médicos e especialistas compõem o debate.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2024 e 2025, houve um aumento de 143% na quantidade de pessoas afastadas do trabalho por transtornos mentais, um cenário que pede atenção e responsabilidade por parte do governo e sociedade.

Cidades DF
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