A cidade de Isaías Coelho, no Sul do Piauí, viveu um dia marcado por comoção, indignação e um forte apelo por justiça. Familiares, amigos e moradores foram às ruas do centro do município em uma passeata em memória do professor João Emmanuel Ribeiro Gonçalves de Moura Carvalho, de 32 anos, morto de forma violenta no Distrito Federal. O ato público reuniu centenas de pessoas e transformou o luto coletivo em um clamor por respostas e responsabilização do autor do crime.
A manifestação, ocorrida nesse sábado (10/1), contou com a presença dos pais, irmãos e demais familiares de João Emmanuel, que caminharam ao lado da população. Cartazes, palavras de ordem e momentos de silêncio marcaram o percurso da passeata. Ao final, os participantes soltaram balões branco em frente à Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim, enquanto gritavam “Justiça”.
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Investigação
A Polícia Civil (PCDF) apontou a homofobia como a motivação do assassinato de João Emmanuel. O analista de disciplina do Instituto São João, em Sobradinho, foi encontrado sem vida, com graves lesões no rosto, ao lado de uma parada de ônibus, na manhã do último domingo (4/1). O crime é investigado pela 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho 2).
O autor confesso do homicídio, Guilherme Silva Teixeira, de 24 anos, foi preso pelos investigadores. Segundo o delegado Ricardo Viana, chefe da 35ª DP, a vítima foi brutalmente agredida com socos, chutes e teve o rosto pisoteado. Em depoimento, o suspeito afirmou que estaria no local apenas para conseguir uma carona até o trabalho, quando teria ocorrido uma discussão com o professor.
Ainda de acordo com a versão apresentada à polícia, após a discussão, Guilherme passou a agredir João Emmanuel, deixando-o caído no chão, agonizando. “Foi apenas um soco com a mão limpa, sem uso de nada. Depois comecei a pisar nele e não foi minha intenção matar ele. Era só para dar a surra mesmo. Só para não passar batido. Não saí de casa na intenção de matar e nem fazer maldade com ninguém", contou
Em seguida, teria seguido normalmente para o trabalho, acompanhado do próprio patrão, que mora nas proximidades do local do crime e chegou a presenciar a vítima ferida. O empregador foi detido por favorecimento pessoal, mas liberado após assinar um termo circunstanciado de ocorrência.
Para a Polícia Civil, no entanto, o crime foi motivado por preconceito. “O caso é tratado como homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil, no caso a homofobia, e motivo torpe”, afirmou o delegado Ricardo Viana.
