
O assassino confesso do professor João Emmanuel Ribeiro Gonçalves de Moura Carvalho, de 32 anos, relatou em depoimento à Polícia Civil (PCDF) como ocorreu a agressão que resultou na morte da vítima, encontrada ao lado de uma parada de ônibus em Sobradinho, no último domingo (4/1). Guilherme Silva Teixeira, 24, afirmou que tudo aconteceu após um gesto que interpretou como sexual.
Segundo Guilherme, no dia do crime, ele saiu de casa por volta das 5h40 para trabalhar. “Saí até agradecendo a Deus, pela oportunidade de estar trabalhando”, declarou. Ele contou que chegou ao Sítio dos Anjos, onde mora seu patrão, e ficou aguardando o patrão chegar para iniciar o serviço.
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Durante a espera, ele disse ter visto um homem atravessando a rua e fazendo um gesto. “Eu nunca vi ele na minha vida, não sei quem era aquele rapaz. Eu pensei que ele queria pegar um baseado. Aí eu falei, não tenho. Mas eu vi que ele estava fazendo um gesto sexual", relatou.
Questionado sobre o que o gesto sugeriu, Guilherme respondeu que imaginou que era um convite para sexo oral. Ele disse que, neste momento, atravessou para o outro lado da pista e foi até a vítima, que teria feito menção ao seu órgão sexual. Logo após, Guilherme afirmou que iniciou a agressão.
O autor disse ter dado um soco do lado esquerdo do rosto da vítima, que caiu imediatamente. “Foi apenas um soco com a mão limpa, sem uso de nada”, revelou. Em seguida, afirmou que passou a pisar no rosto do professor. “Depois comecei a pisar nele e não foi minha intenção matar ele. Era só para dar a surra mesmo. Só para não passar batido. Não saí de casa na intenção de matar e nem fazer maldade com ninguém", contou.
Após a agressão, Guilherme disse que atravessou a rua correndo e chamou o patrão, que foi até o local e informou que a vítima estava agonizando. “Meu patrão falou que virou ele de lado para ele não se engasgar com o próprio sangue e já falou para a mulher dele chamar o SAMU. Os bombeiros chegaram, mas, infelizmente, já era tarde demais”, disse. Mesmo após o ocorrido, o indivíduo afirmou que seguiu a rotina normalmente.
Ele declarou que não sabia que o professor havia morrido. “A ambulância tinha chegado lá, só pensei que ele ia ser socorrido e ia ficar tudo bem”, acrescentou. Segundo o depoimento, ele só ficou sabendo da morte quando chegou em casa à noite. “Eu não consegui nem dormir, eu estou mal até agora, não era pra ter acontecido isso”, revelou. O criminoso afirmou que pensou em se apresentar à polícia, no entanto, disse que antes buscou um advogado.
Questionado se a agressão ocorreu pelo fato de a vítima ser homossexual, ele respondeu: “Eu não tenho nada contra não. Eles lá e eu aqui”, afirmou. O agressor afirmou que o motivo foi a forma como se sentiu abordado. “Eu só não achei legal na parte dele falar desse jeito comigo", concluiu.
Caso
A Polícia Civil classificou como homofobia a motivação da morte de João Emmanuel Ribeiro Gonçalves de Moura Carvalho, de 32 anos. Ele era analista de disciplina do Instituto São João, em Sobradinho, e foi encontrado morto com graves lesões no rosto ao lado de uma parada de ônibus.
O assassino confesso, Guilherme Silva Teixeira, de 24 anos, foi detido por policiais da 35ª Delegacia de Polícia (Sobradinho 2). Segundo o delegado Ricardo Viana, chefe da unidade, João foi agredido com chutes, socos e teve o rosto pisoteado. Em interrogatório, Guilherme disse que estava no local “apenas para obter uma carona para ir ao trabalho”, quando teria discutido com a vítima.

Cidades DF
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