Urbanismo

Confira os detalhes para a implosão do Torre Palace no DF

Prédio será implodido dia 25 deste mês. Operação histórica em Brasília terá 165 kg de explosivos e mobilização de diversos órgãos de segurança

Um dos prédios mais antigos e imponentes da história de Brasília está com os dias contados. A demolição do hotel Torre Palace, marcada para o dia 25 deste mês, mobilizou órgãos de segurança, patrimônio, fiscalização urbana e o Ministério Público (MPDFT) em uma reunião nessa segunda-feira (12/1), na qual foram alinhados os detalhes da ação. Ela é considerada a mais complexa realizada no Distrito Federal nesse tipo de intervenção e representa o fim de um dos capítulos mais simbólicos e controversos da história urbana de Brasília.

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A demolição por implosão foi definida como o método mais seguro diante das condições do prédio, segundo a RVS Construções e Incorporações Ltda., que realizará a implosão. No dia da execução, será estabelecida uma zona de exclusão com raio estimado entre 200 e 300 metros. A evacuação preventiva dos hotéis mais próximos, a interdição temporária de vias e a restrição da circulação de pessoas e veículos fazem parte do protocolo, que será divulgado em breve. A previsão da Secretaria de Segurança Pública (SSP) é que o tráfego seja interrompido a partir das 6h, com liberação gradual após a implosão, marcada para as 11h.

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Com 14 andares e estrutura comprometida, o uso de técnicas convencionais de demolição mecânica — como o desmonte progressivo com máquinas pesadas a partir do topo — foi considerado inviável. A fragilidade das lajes impede o deslocamento de equipamentos de grande porte, aumentando o risco de colapsos não controlados. Por isso, serão utilizados 165 kg de explosivos a serem distribuídos em 938 furos estruturais. O objetivo é fazer o prédio colapsar verticalmente.

Além dos desafios estruturais, o entorno impõe restrições adicionais. O edifício está localizado ao lado do Hotel Kubitschek Plaza e próximo a importantes eixos viários da capital. Qualquer falha na execução poderia gerar danos a edificações vizinhas, lançar detritos a longa distância ou provocar vibrações prejudiciais. Por isso, o plano prevê uma implosão controlada, com colapso vertical e queda direcionada para o interior do próprio terreno.

O planejamento da operação envolve uma série de medidas preventivas. Antes da implosão, o prédio passa por uma etapa de preparação, que inclui a retirada de materiais combustíveis, esquadrias, vidros e resíduos acumulados ao longo dos anos. Também são realizados furos estratégicos em pilares e elementos estruturais para a colocação de explosivos, seguindo um sequenciamento milimétrico de detonação.

Alinhamento

O MPDFT acompanha todas as etapas do processo. Na reunião realizada na última segunda-feira (12/1), no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), representantes do MP, da SSP, da Defesa Civil e de outros órgãos alinharam as ações de segurança e organização. Participaram do encontro o procurador distrital dos Direitos do Cidadão, Eduardo Sabo, e a promotora de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística, Marilda Fontenele.

Segundo Sabo, a principal preocupação é garantir a segurança da população e a clareza das orientações. “As medidas de orientação e de postura para a população e para os estabelecimentos da região deverão ser amplamente divulgadas antes da data da implosão”, observou. Fontenele ressaltou que, do ponto de vista urbanístico, a implosão envolve impactos relevantes e, por isso, exige acompanhamento rigoroso dos atos preparatórios e das medidas de mitigação.

A operação contará com a atuação integrada da Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Detran e equipes responsáveis pela fiscalização e logística. O Exército Brasileiro, órgão responsável pela autorização e fiscalização do uso de explosivos no país, também acompanha o processo. A implosão, inicialmente prevista para dezembro de 2025, foi adiada para janeiro deste ano justamente para garantir maior organização e segurança.

Após a demolição, os trabalhos continuarão com a remoção e o tratamento dos escombros. A estimativa é que mais de 20 mil toneladas de resíduos sejam geradas. De acordo com o plano ambiental, o material será triado e reciclado, com reaproveitamento do concreto triturado em obras de infraestrutura, em conformidade com a legislação ambiental do Distrito Federal.

 

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