ruínas do passado

Correio sobe escadas do Torre Palace e mostra últimos detalhes para implosão

Desocupado, o Torre Palace foi adquirido por uma empresa que prevê a construção de um hotel de alto padrão no local. O próximo passo para a implosão será a instalação de uma tela de proteção em torno do edifício, na terça-feira (20/1)

Após anos de abandono, a saga de um dos edifícios em ruínas mais conhecidos de Brasília finalmente vai ter um desfecho. Às 10h do dia 25 de janeiro, o Torre Palace vai ser demolido. E os últimos ajustes para a implosão estão a todo vapor. Nesta quinta-feira (15/1), o Correio subiu as escadas do prédio e mostra, com exclusividade, imagens internas do que restou do antigo hotel, prestes a virar escombros. 

A passos cuidadosos, e equipe acompanhou a engenheira civil Lorrana Oliveira, da RVS Construções, na subida aos andares do edifício. Ao lado das escadas estreitas, já não existem paredes, tampouco corrimão. A vista privilegiada da área central de Brasília pelas sacadas destoa dos vestígios de um espaço, há tempos tomado pelo esquecimento. Os quartos, anteriormente ocupados por famílias em situação de rua e dependentes químicos, guardam registros de números e identificações que serviam como endereços. 

Desocupado, o Torre Palace foi adquirido por uma empresa que prevê a construção de um hotel de alto padrão no local. O próximo passo para a implosão será a instalação de uma tela de proteção em torno do edifício, na terça-feira (20/1), para evitar qualquer lançamento de materiais no dia da demolição. "Vamos usar 165 kg de explosivos, distribuídos em 938 furos feitos na estrutura do prédio. A implosão deve durar cerca de cinco segundos", detalha a engenheira. 

Até o momento, as equipes têm feito vistorias em prédios próximos ao hotel e já realizaram demolições internas e externas de alvenarias, nos primeiros andares, a fim de livrar os pilares para os furos de 32 mm, onde serão instaladas as dinamites. Trinta trabalhadores, em média, estão atuando em todo o serviço. Os explosivos vão chegar de Goiás dois dias antes da implosão e, aqui, ficarão armazenados sob guarda da Segurança Pública do Distrito Federal. 

"No dia 25, será feita a evacuação total dos locais próximos em um raio de 100 metros. Estamos prevendo que alguns escombros caiam na diagonal da Via N1. Como a implosão será rápida, a expectativa é conseguir liberar uma ou duas faixas da pista pouco depois, para não obstrui-la totalmente. Já a remoção de todo o entulho deve ocorrer entre uma e duas semanas após a liberação do espaço, feita pelo Corpo de Bombeiros, que deve levar até três dias", explica Lorrana Oliveira. Posteriormente, o material será triturado e reutilizado na construção civil; o que não for usado será recolhido pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU). 

Ed Alves/CB/DA Press -
Ed Alves/CB/DA Press -
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Saga

Em 10 de setembro do ano passado, a Secretaria DF Legal recomendou a demolição do Torre Palace em vista das suas péssimas condições, incluindo sinais de infiltração na estrutura e desplacamento do revestimento. O prédio, inaugurado em 1973, foi um dos primeiros hotéis da capital, responsável por hospedar políticos importantes e celebridades. Apesar do endereço nobre e do passado de requinte, o local perdeu destaque para outros empreendimentos, mais altos e modernos, erguidos nas últimas décadas. 

"De fato, é um edifício muito antigo e que não segue exigências do Corpo de Bombeiros. Além de ser muito pequeno, não tem garagem e seu pé-direito é muito baixo. A estética também destoa dos demais prédios no setor. Diferentemente destes pilares robustos, hoje a engenharia tenta minimizar a quantidade de divisões no espaço, a fim de ter um ambiente mais amplo", avalia a engenheira da RVS Construções. O Torre Palace ocupa aproximadamente 7,5 mil metros quadrados no Setor Hoteleiro Norte. 

A operação de demolição contará com a atuação integrada da Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Detran e equipes responsáveis pela fiscalização e logística. O Exército Brasileiro, órgão responsável pela autorização e fiscalização do uso de explosivos no país, também acompanha o processo. A implosão, inicialmente prevista para dezembro de 2025, foi adiada para janeiro deste ano justamente para garantir maior organização e segurança.

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