Saúde

Doença silenciosa: casos de leptospirose aumentam no período de chuvas

Em 2025, foram contabilizados 19 casos e uma morte pela doença. Especialistas alertam para sintomas, tratamento e formas de prevenção

Até abril, Brasília segue com as chuvas típicas do verão. Se, por um lado, as precipitações aliviam o calor, por outro, acendem um alerta para uma doença grave: a leptospirose. Entre 2023 e 2025, o Distrito Federal registrou 53 casos de infecção e quatro mortes provocadas pela bactéria Leptospira, transmitida principalmente pela urina de ratos e de outros animais, comuns em áreas alagadas.

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É nesse período de chuvas que os gráficos indicadores da leptospirose disparam. Números da Secretaria de Saúde (SES-DF) registraram, em todo 2025, 19 casos da doença. Cinco deles foram notificados em maio, quatro em janeiro, três em abril, dois em fevereiro, dois em março, e um em junho, julho e abril, cada. Os dados foram atualizados em 5 de janeiro deste ano.

Em 2024, o total de infecções foi de 23, quatro a mais do que em 2025. O ano de 2023 contabilizou 11 pessoas contaminadas pela doença. Nos três anos, quatro óbitos foram confirmados: dois em 2023, um em 2024 e um em 2025. As mortes ocorreram nos meses de janeiro, março e novembro.

Segundo a secretaria, embora as mortes tenham ocorrido de forma esporádica ao longo do período analisado, a leptospirose permanece como agravo de relevância em saúde pública, sobretudo em contextos associados à exposição a ambientes alagados, deficiência de saneamento básico e presença de roedores.

pacifico - grafico leptospirose

Cuidados

Infectologista e integrante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Anchieta Ceilândia, Adryelle Luetz detalha os principais sintomas da doença. Há febre, dor no corpo — especialmente na panturrilha —, associadas a olhos vermelhos ou amarelos. Alguns dos sintomas, segundo ela, podem ser confundidos com síndrome gripal, uma virose ou dengue.

Em 90% dos casos, a doença se apresenta com febre associada a dor no corpo, dor de cabeça, falta de apetite, náuseas e vômitos, alerta a médica. "Após a fase inicial, que dura cerca de uma semana, aproximadamente 15% dos pacientes podem evoluir para a forma grave, com aparecimento de icterícia (pele e olhos amarelados), insuficiência dos rins e sangramentos em diferentes partes do corpo. A hemorragia pulmonar é uma das complicações mais graves e pode levar à insuficiência respiratória", afirma.

A médica infectologista Sabrina Soares, da Quali Ipanema, explica sobre os cuidados para evitar a contaminação. De acordo com ela, é fundamental evitar contato com água de enchentes e lama, usar botas e luvas em locais de risco, manter o controle de roedores e cuidar bem do lixo e dos alimentos. Ela alerta, ainda, que, sempre que houver possível exposição, a higiene imediata da pele ajuda a reduzir o risco.

Na internet, são muitas as dúvidas. Uma frequente é: "Se eu tocar no xixi do rato, sou contaminada?". Sabrina responde: "A infecção depende de alguns fatores, como a presença da bactéria viva, a existência de feridas ou microlesões na pele e o tempo de contato. Se a pele estiver íntegra e houver higiene logo depois do contato, o risco é bem menor."

As médicas também falam sobre a recuperação. O tratamento é feito com antibióticos por via oral ou endovenosa, a depender da gravidade do quadro, e deve ser iniciado assim que houver suspeita da doença, sem necessidade de aguardar a confirmação por exames laboratoriais. A recuperação de pacientes que tiveram a forma grave da doença pode levar de um a dois meses, sendo comum a presença de fraqueza, mal-estar e anemia.

A SES-DF também chama atenção quanto aos cuidados e prevenção. De acordo com a pasta, o ideal é evitar contato com águas e lama de enchentes; não caminhar, brincar ou nadar em locais alagados; usar botas e luvas de borracha impermeáveis, caso seja inevitável entrar em contato com a água; e, por fim, em situações de pós-enchentes, descartar os alimentos que tiveram contato com a água suja.


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