Durante o evento de abertura do CB.Debate, desta terça-feira (27/1), a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Daniela Teixeira, afirmou que "o debate sobre o combate à violência contra a mulher é fundamental para a sociedade"
Para Daniela, não adianta reunir 10 mulheres brilhantes em uma sala, a mensagem precisa chegar até a população. "Tivemos um aumento terrível nos casos de feminicídio. Por isso é importante que a gente se reúna para pensar em medidas para evitar que esse crime continue acontecendo", afirmou.
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Sobre o dever do judiciário, a ministra comentou que o importante é evitar que o crime aconteça. "Para mim, pouco importa se a pena do agressor vai ser de 10, 20 ou 100 anos. Nosso objetivo é evitar que a morte ocorra", ressaltou.
A ministra Daniela ressaltou que a base de uma sociedade sem violência de gênero começa na educação. "Temos que trazer ao debate o Ministro da educação. Temos que educar os meninos para que eles aprendam que a violência é errado. E temos que educar as meninas para que elas não aceitem a primeira violência", disse.
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Segundo a ministra, o Distrito Federal possui uma lei para incluir o debate contra violência de gênero como matéria obrigatória na educação. "Ela ainda não foi implementada. Porém, temos muita esperança que essa lei seja aprovada", disse. Para ela, com uma base educacional forte, os números de feminicídios vão cair.
Sobre a atuação do judiciário, a ministra explicou que julgar os casos de forma rápida é essencial para a devida punição dos agressores. Ela cita a meta oito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que impõe aos juízes julgar 100% dos casos que acontecem no ano, não deixando passar para o próximo ano. "Eu não posso deixar que algo tão urgente como os julgamentos seja atestado por anos", explicou.
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O cenário da violência de gênero no Distrito Federal exige atenção urgente: em 2025, a capital registrou 11,3 mil casos de violência doméstica, uma média alarmante de 30 ocorrências por dia. O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior, somado aos recentes casos que vitimaram uma adolescente e uma mulher idosa, reforça a necessidade de políticas públicas mais robustas e de uma rede de apoio que funcione preventivamente.
Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reúne grandes nomes como as ministras Marina Silva e Luciana Santos, além de magistradas e especialistas. O primeiro painel focará na responsabilidade institucional do Estado, enquanto o segundo debaterá a mobilização social e a mudança cultural necessária para erradicar a violência contra a mulher.
Onde pedir ajuda:
» Ligue 190: Polícia Militar (PMDF)
» Ligue 197: Polícia Civil (PCDF)
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres). Por esse canal, também podem ser feitas denúncias de forma anônima, 24 horas por dia, todos os dias.
Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam):
» Deam 1: EQS 204/205, Asa Sul (atende todo o DF, exceto Ceilândia)
» Deam 2: St. M QNM 2, Ceilândia (atende Ceilândia)
» Ouvidoria das Mulheres (Conselho Nacional do Ministério Público): para encaminhamento de denúncias diretamente ao Ministério Público.
WhatsApp: (61) 9366-9229
Telefones: (61) 3315-9467 / 3315-9468
» Ouvidoria Nacional da Mulher (Conselho Nacional de Justiça): para questões e denúncias sobre o andamento de processos judiciais.
Telefone: (61) 2326-4615
Assisto ao vivo o CB.Debate:
