O Correio Braziliense teve acesso ao boletim de ocorrência que registra outra denúncia contra Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, suspeito de agredir brutalmente um adolescente de 16 anos, na madrugada de sexta-feira (16/1), em Vicente Pires. O registro foi feito em 28 de junho do ano passado e aponta que o jovem foi acusado de violência, desta vez em uma praça pública de Águas Claras. A vítima informou para a Polícia Civil (PCDF) que foi agredida durante cinco minutos e que levou socos e mata-leão.
A ocorrência foi denunciada à polícia às 21h37 e aconteceu entre 19h40 e 20h, em uma praça pública em frente ao Bar Vila Carioca, na quadra 301. A vítima, que não quis se identificar por medo de represálias, relatou no boletim que já havia tido um desentendimento verbal com Pedro Arthur cerca de um mês antes, que foi motivado por ciúmes envolvendo a namorada do agressor, mas sem agressões físicas naquela ocasião.
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Segundo o relato, no dia do fato, a vítima estava sozinha na praça quando Pedro Arthur chegou acompanhado de quatro amigos. A princípio, houve uma conversa de aproximadamente 10 minutos e, ao final, o agressor teria afirmado que “estava tudo certo”. No entanto, quando a vítima virou de costas para ir embora, foi surpreendida com um soco nas costelas, derrubada no chão e, em seguida, imobilizada com um golpe de enforcamento.
Conforme o depoimento, a vítima conseguiu evitar o golpe, mas sofreu diversos socos no rosto, enquanto os amigos do agressor não se envolveram, mas ficaram apenas observando. Com medo de ser atacada por todos, a vítima afirmou que apenas tentou se proteger, sem reações maiores. As agressões duraram cerca de cinco minutos, até que os próprios amigos retiraram Pedro Arthur de cima dele, momento em que conseguiu fugir do local.
Estratégia da defesa da vítima
O advogado Albert Halex, que atua na defesa do adolescente agredido em Vicente Pires, afirmou que a estratégia jurídica passa, inicialmente, por desconstruir a narrativa apresentada pela defesa de Pedro Arthur. "A gente tem provas suficientes para trazer a verdade dos fatos. A estratégia deles é que inocentar uma pessoa que é sabidamente agressiva, violenta, que tem prática reiterada, de agredir pessoas", disse.
De acordo com o advogado, as investigações recentes apontam que versões divulgadas anteriormente, envolvendo supostos objetos ou provocações, fariam parte de uma estratégia para inocentá-lo. "Eles transformaram algo que foi gravíssimo em uma briga de adolescentes, que não é o caso", afirmou. Halex ainda sustentou que há indícios de falsidade testemunhal, omissão de socorro e até de dolo eventual, já que, segundo ele, a violência poderia ter resultado em morte.
Os próximos passos da defesa da vítima incluem solicitar que a polícia ouça todas as pessoas presentes, analise imagens e vídeos já levantados e considere o caso antecedente de agressão como elemento de prova para demonstrar a reincidência. A defesa também pretende responsabilizar não apenas o agressor direto, mas todos os envolvidos que, segundo o advogado, teriam contribuído para o crime ao filmar, acobertar ou omitir socorro.
Relembre o caso
O piloto de Fórmula Delta, Pedro Arthur Turra Basso foi preso em flagrante por agredir um adolescente na saída de uma festa, em Vicente Pires, na madrugada de sexta-feira (16/1). Ele passou por audiência de custódia e foi liberado após pagar fiança de R$ 24.315,00.
Em decorrência do episódio, o esportista foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da categoria escola, decisão confirmada pela organização em 26 de janeiro.
O adolescente agredido naquele caso permanece internado em estado grave, em coma, na UTI do Hospital Brasília Águas Claras.
O Correio tentou contato com a defesa de Pedro Arthur Turra Basso, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
