CB.Debate

Para psiquiatra, assistência à saúde também envolve assistência social

Durante a participação no 'CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil', a psiquiatra e professora de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) falou sobre a necessidade de acesso à saúde mental

Por Manuela Sá*—Durante participação no CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre saúde mental no Brasil desta quinta-feira (29/1), a psiquiatra e professora de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) Helena Moura enfatizou o impacto de fatores sociais na saúde mental de brasileiros. Segundo a especialista, mais de 70% da população do país vive em regiões sem acesso a atendimentos voltados para saúde mental.

Apesar do aumento da procura por cuidados e de uma melhora na percepção da importância do tema, ter acesso a tratamento ainda é uma dificuldade. “Os avanços no diálogo sobre essas questões não está sendo acompanhado por uma maior oferta e, muitas vezes, pela qualidade do serviço”, afirmou a professora.

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Outra dificuldade, de acordo com a psiquiatra, é o alto custo de cuidar da saúde mental, o que exige mudanças. “A gente precisa estruturar melhor, por exemplo, o fornecimento de medicações, que ainda é extremamente limitado na área da psiquiatria”, avaliou.

A professora ressaltou ainda que o enfrentamento do problema não depende apenas do setor da saúde. Embora haja avanços na capacitação de profissionais para a prevenção do suicídio, ela defende a integração com políticas de assistência social, como o Bolsa Família. “Para um pessoa que está economicamente vulnerável, dar assistência social é tão importante quanto dar assistência na área de saúde. Não é possível dissociar um fator do outro”, afirmou.

CB.Debate

Em alusão ao mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, o Correio promove, nesta quinta-feira (29/1), o CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do Youtube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

Além dos fatores de adoecimento mental e desafios na assistência, será discutida ainda a construção de espaços de escuta e cuidado. Entre os painelistas, autoridades, médicos e especialistas compõem o debate.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2024 e 2025, houve um aumento de 143% na quantidade de pessoas afastadas do trabalho por transtornos mentais, um cenário que pede atenção e responsabilidade por parte do governo e sociedade.

Assista ao debate: 

*Estagiária sob supervisão de 

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