
Em meio ao aumento dos casos de ansiedade, depressão e burnout, fazer pequenas pausas ao longo do dia pode ser uma das estratégias mais simples e eficazes de cuidado com a saúde mental. O alerta é da psicóloga e instrutora de mindfulness da Sociedade Vipassana de Meditação, Carla Fragomeni, que defende a prática de momentos breves de autoconsciência como forma de reduzir os impactos da sobrecarga mental da vida moderna.
Durante o CB.Debate Janeiro Branco: Diálogos sobre a saúde mental no Brasil, a especialista destacou que o cérebro humano não foi biologicamente preparado para lidar com o volume de estímulos e demandas do mundo contemporâneo.
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Segundo ela, esse cenário ajuda a explicar o crescimento de quadros como ansiedade, depressão e burnout — condição que já figura entre as principais causas de afastamento do trabalho. Carla também chamou atenção para os efeitos das redes sociais sobre a autoestima. “Comparar o palco do outro com os nossos bastidores gera sentimentos de inferioridade, não pertencimento e isolamento”, afirmou.
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Ainda assim, ela pondera que não é possível retroceder diante das transformações tecnológicas. “O mundo não vai andar para trás. Precisamos aprender a nos educar para viver na realidade atual, inclusive no uso das telas e das redes sociais”, destacou.
Como estratégia de enfrentamento, a psicóloga defende a adoção de práticas de atenção plena, ou mindfulness, já amplamente estudadas pela neurociência. Mas reforça que não é preciso, necessariamente, iniciar uma prática formal de meditação para começar a sentir benefícios.
“A principal orientação é criar pequenas pausas conscientes ao longo do dia. Parar por um ou dois minutos, fechar os olhos, perceber a respiração, sentir os pés no chão e observar como o corpo está. Muitas vezes estamos irritados, tensos ou cansados e nem percebemos, porque estamos em sobrecarga mental”, explicou.
Segundo Carla, a desconexão com o próprio corpo faz com que necessidades básicas passem despercebidas. “A pessoa pode passar o dia inteiro sentada, com dor, com fome ou sem beber água, e não se dar conta. Só essa autoconsciência já tem um efeito impressionante no bem-estar.”
Ela reforça que esses cuidados são essenciais diante do avanço do burnout e de outros quadros de sofrimento psíquico. “Nada é mais incapacitante do que um problema grave de saúde mental. Por isso, a mensagem é simples e acessível: fazer pausas e se perceber ao longo do dia é um passo fundamental de autocuidado.
CB.Debate
Em alusão ao mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, o Correio promove, nesta quinta-feira (29/1), o CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do Youtube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.
Além dos fatores de adoecimento mental e desafios na assistência, será discutida ainda a construção de espaços de escuta e cuidado. Entre os painelistas, autoridades, médicos e especialistas compõem o debate.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2024 e 2025, houve um aumento de 143% na quantidade de pessoas afastadas do trabalho por transtornos mentais, um cenário que pede atenção e responsabilidade por parte do governo e sociedade.

Cidades DF
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