Na semana em que a repercussão do crime contra o cão Orelha, em Santa Catarina, ganhou proporção mundial, um caso ocorrido no Condomínio Privê Lucena Roriz, em Ceilândia Norte, mostra como a violência a animais domésticos persiste em todos os lugares. Merlim, um filhote de pitbull de apenas quatro meses, morreu após ingerir alimento envenenado arremessado para dentro da varanda da residência de sua tutora, Waléria Maciel, 58 anos. A autoria do crime ainda é desconhecida.
Além de Merlim, outros dois cães da família, Granola e Afrodite, também ingeriram o veneno. Ambos seguem em tratamento intensivo. Conforme o relato da tutora, no último domingo (25/1), a família estava em casa quando ouviu um barulho indicando que alguma pessoa passou em frente ao portão, momento no qual os três cachorros correram para a garagem.
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"Quando eles (os cães) voltaram, o Merlim estava chorando e, em seguida, vomitou uma secreção esverdeada. Percebemos que era veneno, mas, na varanda, já não tinha nenhum resquício da substância. Foi então que os outros dois, a Afrodite e o Granola, também começaram a passar mal. Levamos os três ao hospital veterinário, mas o Merlim não resistiu e morreu nesta madrugada (29/1)", detalha Waléria.
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Luto
No momento, Granola tem apresentado melhoras, mas Afrodite segue em estado grave. "Eles nunca fizeram mal para ninguém. Merlim era o melhor amigo do meu neto, Heitor, de quatro anos. Eles brincavam no quintal, dormiam juntos, pareciam irmãos. Estamos inconsoláveis. Como eu vou explicar para o Heitor que o amigo dele foi morto, sem mais nem menos?", desabafa a terapeuta integrativa, bastante emocionada.
Imagens de câmeras de segurança de vizinhos registraram a presença de um carro branco, semelhante a veículos de entrega, estacionado em frente à residência no domingo, mas a placa não foi identificada. Waléria disse que vai registrar um boletim de ocorrência para que o caso seja investigado pelas autoridades. "Eu só quero que esta pessoa reflita sobre todo mal que ela nos causou com sua atitude desumana e criminosa", frisou.
Os animais tinham uma função terapêutica essencial na casa, segundo a tutora, servindo de companhia e apoio emocional para sua mãe e sua filha, ambas acamadas. A família agora lida com o luto e a angústia. Rhayssa Maciel, filha de Waléria, lamenta o impacto psicológico sobre o pequeno Heitor, que presenciou o sofrimento dos animais. A preocupação estende-se também à matriarca da família, Antônia Maria, que retorna nessa quinta-feira de uma internação hospitalar de 15 dias e corre o risco de não encontrar seus companheiros vivos.
Manifestação
O caso de maus-tratos que resultou na morte do cão comunitário Orelha mobilizou a sociedade e motivou a organização de manifestações em diferentes regiões do país. No próximo sábado (31), o ato ocorre em Brasília, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo terão mobilizações no domingo (1º/2), todas com pedido de justiça e pelo fim da violência contra animais.
Na capital federal, a manifestação será organizada pela Associação ApDog, responsável pelo ParkDog da CLSW 104. O ato está marcado para às 16h e contará com uma caminhada pacífica em homenagem ao cão Orelha. De acordo com a entidade, o percurso terá início na CLSW 104, nas proximidades do supermercado Dona, seguirá até a CLSW 300 e retornará ao ponto de partida.
A Polícia Civil ressalta a importância de denunciar casos de maus-tratos a animais. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 197, opção 0, pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br ou pelo WhatsApp (61) 98626-1197.
