Religião

Terreiro no Gama é alvo de ataques com pedras

Representante do local registrou boletim de ocorrência. Condomínio se explica e diz que está à disposição para arcar com os prejuízos

Pedra em cima do telhado da Tenda Espírita Pai Benedito do Congo -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Pedra em cima do telhado da Tenda Espírita Pai Benedito do Congo - (crédito: Arquivo Pessoal)

Desde janeiro, a Tenda Espírita Pai Benedito do Congo, terreiro localizado no Gama, tem sido alvo de uma série de ataques que resultaram em danos ao espaço. A denúncia foi registrada na noite de sábado (31/1), na 20ª Delegacia de Polícia (Gama), por Anísio Pereira, praticante da religião, de 23 anos.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

A primeira ocorrência foi registrada em 17 de janeiro, durante a preparação de um banho de ervas para um trabalho religioso que ocorreria em seguida. Segundo o relato, o grupo foi surpreendido por barulhos intensos, provocados por pedras arremessadas a partir de um condomínio vizinho. A ação só cessou após um dos frequentadores gritar em direção ao local de onde vinham os ataques.

No sábado (31/1), durante uma gira de Exu, os barulhos voltaram a ocorrer. Diante da situação, Anísio acionou a Polícia Militar, que entrou no condomínio, mas não identificou o responsável. Posteriormente, Anísio se dirigiu à delegacia para registrar a ocorrência. No domingo (1º/2), a perícia esteve no local para recolher as novas pedras arremessadas e incluí-las no laudo pericial.

Ainda de acordo com Anísio, além de pedras, outros materiais foram lançados contra o terreiro, como restos de obra, tijolos e concreto. Ele destaca que os episódios ocorreram em datas simbólicas, como o Dia de Iemanjá (2/2) e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21/1), e defende a união dos praticantes de religiões de matriz africana.

“Isso deve acontecer em prol dos nossos direitos, para que pessoas de outras religiões e crenças respeitem a nossa liberdade de culto. Só queremos alcançar o sagrado, nos conectar com nossa ancestralidade e curar as pessoas por meio da espiritualidade”, afirma.

Nesse sentido, Anísio também espera providências por parte de alguns órgãos, como a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual.

Outro lado

Em nota, o condomínio Império informou que as pedras teriam sido arremessadas pelo filho de um dos moradores, um adolescente de 16 anos com autismo, que estaria passando por um episódio de sensibilidade auditiva. Segundo o comunicado, a condição teria contribuído para uma reação inadequada diante do barulho. “Isso não justifica o ocorrido, mas ajuda a contextualizar a situação, que está sendo tratada com a seriedade que merece, tanto pelo condomínio quanto pela família”, diz o texto.

O condomínio afirmou ainda que, ao tomar conhecimento do caso, entrou em contato direto com o responsável pelo centro espírita. “Conversamos de forma respeitosa e nos colocamos à disposição para arcar integralmente com os prejuízos, incluindo o pagamento das telhas danificadas e quaisquer outras consequências.”

Por fim, o condomínio declarou que o problema está sendo tratado diretamente entre os envolvidos. “Repudiamos qualquer ato de desrespeito, intolerância religiosa ou violência e lamentamos profundamente o transtorno causado.”

  • Google Discover Icon
postado em 03/02/2026 15:59
x