
A Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público (MPDFT) obteve sucesso no recurso de apelação que solicitava o retorno do adolescente acusado de matar Thalita Berquó, 36 anos, à internação em uma unidade socioeducativa. O jovem — que atualmente tem 18 anos — cumpria o regime de semiliberdade desde outubro do ano passado, após o juiz Márcio da Silva Alexandre entender que o suspeito agiu sob "domínio de violenta emoção, em seguida a injusta provocação da vítima".
No entanto, em decisão proferida nesta quarta-feira (11/2), o Tribunal de Justiça reformou a sentença judicial, reconheceu o homicídio triplamente qualificado, excluiu o privilégio e determinou a internação do acusado.
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Apesar de ter 18 anos, o acusado cometeu o crime aos 17 e, por isso, responde ao crime análogo a homicídio. Mesmo assim, permanecia em uma unidade de internação. Ele foi apreendido em 12 de setembro pela Polícia Civil do DF. Além dele, estão reclusos um adolescente e João Paulo Teixeira da Silva, de 36 anos.
O crime
A cabeça e as pernas de Thalita foram localizadas por um funcionário terceirizado da Caesb, em 14 e 15 de janeiro de 2025, respectivamente. O trabalhador era encarregado pela limpeza do local e executava o serviço três vezes ao dia. Os membros estavam em um tanque onde são escoados resíduos de esgoto provenientes do Guará, Núcleo Bandeirante, área central de Brasília e parte do Riacho Fundo.
A identificação da vítima só ocorreu quase um mês depois, em 13 de fevereiro, após a família registrar o desaparecimento de Thalita.
A polícia concluiu que a mulher foi morta em 13 de janeiro, uma segunda-feira. Segundo a família, Thalita passou o fim de semana na casa de um amigo e de familiares dele, mantendo contato constante com a mãe, por meio de mensagens. No sábado (11/1), fez uma ligação de cerca de 40 minutos para tranquilizá-la, afirmando que estava bem, na companhia desse amigo. Durante a chamada, inclusive, Thalita perguntou se a mãe gostaria de falar com ele, o que de fato ocorreu.
Na manhã de domingo (12/1), mãe e filha voltaram a se falar, já que haviam combinado de ir ao cabeleireiro, acompanhadas da tia. No dia da morte (13/1), a mãe novamente conversou com Thalita, ocasião em que ela disse que iria para casa. A partir desse momento, o contato foi perdido. Estranhando o silêncio da filha, a mãe iniciou buscas por informações junto ao mesmo amigo, que afirmou não saber do paradeiro dela.
Segundo a investigação, na data do crime Thalita embarcou em um carro de transporte por aplicativo, com destino à QE 46 do Guará 2, próximo ao Edifício Valentina, distante poucos metros do Parque Ezequias, onde se encontraria com um colega. Essa foi a última informação do paradeiro dela.
O delegado-chefe da 1ª DP, Antônio Dimitrov, explicou à época que a polícia usou técnicas avançadas para traçar a rota feita pela vítima. De acordo com o investigador, da QE 46, Thalita se dirigiu a um local próximo de invasão para comprar entorpecentes. “Ela foi atraída até o parque e, lá, pagou a droga, dando o celular em troca. Logo em seguida, a vítima pediu o aparelho de volta e isso gerou um desentendimento entre ela e os autores”, esclareceu.
O homem e os dois adolescentes teriam dado várias facadas em Thalita e batido no rosto dela com uma pedra. Depois, a esquartejaram. A polícia chegou à localização do tronco após o adolescente levar as equipes à cova, em 17 de março. O corpo estava envolto por um cobertor. Equipes do Corpo de Bombeiros trabalharam mais de seis horas na escavação. Os braços da vítima não foram encontrados, e os suspeitos não souberam responder sobre a localização dos restos mortais.

Cidades DF
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