ENTREVISTA

Fábio Félix contesta versão da PMDF: 'Não houve interferência'

Deputado afirma que foi atingido com spray de pimenta ao tentar obter informações sobre produtoras detidas no Bloco Rebu; mais cedo, comandante disse que não aceitará interferências na atuação de policiais

Deputado Fábio Felix conversa com policiais após spray de pimenta; ele informou que quis entender o caso -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Deputado Fábio Felix conversa com policiais após spray de pimenta; ele informou que quis entender o caso - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) rebateu, nesta quarta-feira (18/2), as declarações da comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, Ana Paula Barros Habka, sobre o episódio em que foi atingido por spray de pimenta durante uma abordagem policial no Bloco Rebu. Em entrevista ao Correio, o parlamentar classificou a fala da oficial como uma tentativa de “confundir a ordem cronológica dos fatos” e negou ter interferido na atuação da corporação.

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A situação ocorreu na segunda-feira (16/2), durante o Bloco Rebu, tradicional bloco LGBT do carnaval do Distrito Federal. Segundo o deputado, ele foi procurado por artistas, produtores culturais e foliões após duas coordenadoras do evento terem sido detidas pela Polícia Militar. Uma delas é Dayse Hansa, organizadora do bloco.

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De acordo com Fábio Félix, ele chegou ao local por volta das 17h40, quando a intervenção policial já havia sido realizada e as produtoras já tinham sido levadas à delegacia. “Sequer tive a oportunidade de conversar com elas. A ação já tinha sido finalizada. É mentirosa a afirmação de que eu teria atrapalhado a atuação dos policiais. O que fiz foi buscar informações. Há uma tentativa evidente de misturar os acontecimentos”, afirmou.

O parlamentar, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal há sete anos, disse que se aproximou dos policiais para buscar informações sobre o paradeiro das coordenadoras. Ele explicou que a preocupação era saber para onde as duas mulheres haviam sido conduzidas e por quais circunstâncias, já que, conforme relatou, foram levadas por policiais homens.

“Me apresentei como presidente da Comissão de Direitos Humanos e pedi para falar com o comandante da operação de forma respeitosa. Fui ameaçado, empurrado e atingido com spray de pimenta no rosto”, disse. Ele afirma que não houve discussão prévia e que o pedido foi feito de maneira educada, como mostram vídeos que circulam nas redes sociais.

Após ser atingido, o deputado telefonou para a comandante-geral da PMDF. Na ligação, presenciada pela reportagem, relatou ter sido alvo de violência e afirmou se sentir “gravemente desrespeitado” no exercício do mandato.

Mais cedo, em coletiva de imprensa, Ana Paula Habka afirmou que não aceitará que ninguém interfira na atuação da corporação e que a instituição irá apurar os fatos, inclusive a conduta do parlamentar. 

Em resposta, o deputado disse que a apuração deve se concentrar na ação do policial que utilizou o spray de pimenta. “O vídeo é claro. Houve violência gratuita. O policial precisa ser investigado. Nenhuma instituição está acima da lei. A Polícia Militar também está sujeita ao controle social. Nenhum cidadão deve ser tratado daquela forma, seja deputado ou não”, afirmou.

 

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postado em 18/02/2026 17:45
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