BRB-Master

Terreno da Farmácia Central vira garantia para salvar o BRB

Imóvel no SIA que abriga Farmácia Central, Samu e setores estratégicos está entre os nove bens oferecidos pelo GDF como garantia de até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB após negociação com o Master

Parque da Saúde é um dos imóveis que o GDF quer dar como garantia para aporte ao BRB -  (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)
Parque da Saúde é um dos imóveis que o GDF quer dar como garantia para aporte ao BRB - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

Um terreno de 99 mil metros quadrados, onde funcionam a Farmácia Central, a Oficina Ortopédica, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), entre outros, é um dos imóveis listados pelo Governo do Distrito Federal (GDF) como grantia do empréstio para salvar o BRB.  

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Trata-se do Parque de Apoio da Secretaria de Saúde, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA),  trecho Serviço Público, lote G. O espaço concentra serviços essenciais para o funcionamento da Secretaria.

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O lote abriga 10 construções, como a do arquivo central, do almoxarifado, da costuraria, do departamento de tecnologia, da oficina mecânica, da gerência de patrimônio e do transporte. 

A Farmácia Central, por exemplo, é responsável pelo armazenamento e a distribuição de medicamentos para unidades de saúde de todo o Distrito Federal.

O Núcleo de Produção de Órteses e Próteses (NUPOP), também conhecido como Oficina Ortopédica, é o espaço onde ocorre a avaliação, acompanhamento e encaminhamento de pacientes para confecção de órteses e próteses ambulatoriais.

O setor também distribui itens como cadeiras de rodas de banho, palmilhas ortopédicas, calçados especiais, andadores, bengalas, próteses mamárias, aparelhos de CPAP e BIPAP.

BRB-Master

O terreno foi incluindo pelo GDF no projeto de lei em discussão na Câmara Legislativa do DF (CLDF) para salvar o BRB após o banco público comprar títulos podres do Master, liquidado pelo Banco Central no fim do ano passado. 

Ao longo de 2025, antes da liquidação do Master, o governador do DF, Ibaneis Rocha (DEM), anunciou que compraria a instituição financeira. A operação foi aprovada pela CLDF e barrada pelo Banco Central. 

O PL considerado vital para salvar o BRB, tem nove imóveis dados como garantia para eventual empréstimo que o BRB precise pegar com o mercado financeiro. O valor está limitado a R$ 6,6 bilhões e não tem consenso nem mesmo entre a base de apoio a Ibaneis. 

Caesb 

Outro imóvel listado pelo GDF como garantia fica no SIA – Trecho Serviço Público – Lote F. Lá funciona a maior área operacional da Caesb, com oficina mecânica, uma parte da frota, escola corporativa, equipe de manutenção de água, de esgoto e predial, além de outros.

O Correio esteve no local na manhã desta quarta-feira (25/2) e conversou com o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos (Sindágua-DF), Paulo César.

Ele afirmou que a possibilidade de o GDF oferecer uma área operacional da Caesb como garantia para cobrir prejuízos do BRB não foi uma surpresa, mas gerou indignação na categoria. “O governo já vinha anunciando que iria dispor de patrimônio público para cobrir esse rombo do BRB. Então, não foi surpresa, mas é de indignar. A gente só não está surpreso, estamos indignados”, declarou. 

Segundo ele, colocar o centro operacional como garantia é um risco para o serviço no DF. “É um serviço essencial, 24 horas por dia, sete dias por semana. Não faz o menor sentido colocar em risco o funcionamento de uma área operacional para cobrir um rombo que o saneamento não ajudou a causar”, criticou.

Paulo César também questionou a falta de garantias quanto ao futuro da estrutura e dos trabalhadores caso o terreno seja executado como garantia. “O que vai acontecer com essas atividades, com essa estrutura e com esses trabalhadores? A gente não sabe. O que a gente sabe é que melhor não vai ficar, não tem como”, afirmou, classificando a medida como “extremamente arriscada” e, na sua opinião, “irresponsável”. 

O diretor destacou que o sindicato já articula mobilização na Câmara Legislativa e diálogo com outras categorias. “Sempre estivemos juntos. A gente repudia veementemente que um serviço essencial e de qualidade entre nessa equação para tapar um prejuízo que sequer sabemos qual será o tamanho. Quem causou o problema é que tem que ser responsabilizado, não o patrimônio público e a população”, concluiu.

Serrinha do Paranoá

Identificado no projeto de lei como Gleba “A”, o lote localizado na Serrinha do Paranoá — região onde já foram mapeadas mais de 100 nascentes e cachoeiras — também integra a lista de imóveis oferecidos como garantia no caso envolvendo o BRB. O local conta com 716 hectares e é considerada uma região estratégica para o equilíbrio hídrico do DF.

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A Rede de Preservação e Desenvolvimento Sustentável da Serrinha do Paranoá – Preserva Serrinha, formada por entidades, moradores e produtores da região, divulgou nesta terça-feira (25/2) um manifesto contra a inclusão da área na lista de bens públicos oferecidos pelo GDF.

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No documento, o grupo afirma que a medida representa “mais uma ameaça a Brasília” e relembra que, em 2022, mais de 12 mil pessoas apoiaram mobilização semelhante pela preservação da Serrinha. “A Serrinha do Paranoá é estratégica para o equilíbrio hídrico do DF, com mais de 100 nascentes catalogadas e validadas pelo poder público, que ajudaram a salvar Brasília do racionamento de água. Entregá-la como prêmio de uma negociata é condenar a capital a um futuro inviável”, diz o texto.

No manifesto, a rede destaca que a área integra o cinturão verde planejado por Lúcio Costa e alerta para riscos de perda de Cerrado nativo, erosão e impactos irreversíveis nas áreas de recarga de aquífero. “Brasília já depende das águas da Serrinha, de onde provêm cerca de 40% da água limpa que chega ao Lago Paranoá. Preservar o Cerrado, proteger as nascentes e evitar a erosão do solo são necessidades urgentes”, afirmam os integrantes.

O grupo também cobra posicionamento dos deputados distritais. “Se invasões avançarem e bairros mal planejados forem construídos, Brasília não terá água. É simples assim. Preservar a Serrinha do Paranoá é garantir o futuro de Brasília”, conclui o manifesto.

Imóveis listados

Imóveis que permanecem (estavam na lista anterior e constam no novo anexo)

1.SIA – Trecho Serviço Público – Lote G (propriedade do DF)

2.SIA – Trecho Serviço Público – Lote I (propriedade do DF). 

3.SIA/SUL – Área de Serviços Públicos – Lote B (Sede da NOVACAP). No novo PL aparece como “SIA Trecho Serviço Público – Lote B” (NOVACAP) no item 6. 

4.Taguatinga – Qd 3, Conj A, Lote 1 (Centrad). Mantido como item 7.

5.SAI/N (antigo lote da PM) — equivalente ao SAIN – área destinada à PMDF da lista anterior, agora item 8.


Imóveis que saíram (estavam na lista anterior e não constam no novo anexo)

1.Parque do Guará – Área 29 e Área 30. Não constam no Anexo Único do novo PL.

2.SIA – Quadra 04 – Lotes 1710, 1720, 1730, 1740, 1750 e 1760. Não constam. 

3.SIA – Quadra 04 – Lotes 1690 e 1700. Não constam. 

4.SMAS – Trecho 3 – Lote 8. Não consta.

5.SAIN – DEST CEB (Área Institucional Noroeste). Não consta.

6.SHIS QL 9 – Lote B (Lago Sul). Não consta.

7.Áreas Isoladas Santa Bárbara (Lote 2) e Papuda (Lotes 1 e 2) – Tororó. Não constam.

Imóveis novos incluídos (não constavam na lista anterior e aparecem no novo anexo)

1.SIA – Trecho Serviço Público – Lote F (CAESB) — item 1 do Anexo Único. 

2.SIA – Trecho Serviço Público – Lote H (DF) — item 4. 

3.SIA – Trecho Serviço Público – Lote C (CEB) — item 5. 

4.Gleba “A” – (com 716 hectares) (Terracap) — item 9.

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postado em 25/02/2026 12:07 / atualizado em 25/02/2026 13:29
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