CB. DEBATE

Juíza sugere educação na infância como caminho contra o feminicídio

Coordenadora da Mulher no TJDFT, Fabriziane Zapata destaca o programa Maria da Penha Vai à Escola e afirma que mudança cultural é essencial para prevenir a violência contra a muher

Fabriziane Zapata durante o CB. Debate -  (crédito: Ed Alves)
Fabriziane Zapata durante o CB. Debate - (crédito: Ed Alves)

Antes de sua apresentação no CB Debate, "O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo", a juíza de direito e coordenadora da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Fabriziane Zapata destacou a importância de ampliar o debate público sobre a proteção de meninas e mulheres, com foco especial na primeira infância.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Segundo a magistrada, enfrentar a violência de gênero exige mudança cultural profunda. “Para mudar a cultura machista em que vivemos, é preciso trabalhar a infância”, afirmou. Ela ressaltou que a construção de uma sociedade mais igualitária passa pela formação de meninos e meninas desde cedo, para que compreendam a igualdade de direitos e oportunidades.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

A juíza destacou a experiência do Distrito Federal com o programa Maria da Penha Vai à Escola, iniciativa com mais de 10 anos de atuação, pela qual é responsável. O projeto é resultado de parceria entre o TJDFT, Ministério Público, Defensoria Pública e a Secretaria de Educação do DF, além de contar atualmente com cerca de 15 instituições participantes, como a Secretaria de Segurança Pública e a OAB.

De acordo com a coordenadora, o objetivo do programa é “educar para prevenir e coibir a violência contra meninas e mulheres”, por meio da formação contínua da comunidade escolar. Ela enfatizou que não se trata de ações pontuais, como palestras ou rodas de conversa, mas de um programa permanente de capacitação de profissionais da educação, que passam a trabalhar o tema de forma estruturada em sala de aula.

A magistrada também destacou que, embora o sistema de segurança pública e o sistema de Justiça sejam fundamentais na repressão aos crimes, o enfrentamento à violência contra a mulher — classificada por ela como uma “epidemia” no Brasil — exige atuação preventiva e transformação cultural. “É preciso mudar a forma como meninos e meninas se veem, reconhecer a menina como sujeito de direitos”, afirmou.

Para a juíza, somente com investimento em educação e conscientização será possível romper com a lógica que naturaliza a desigualdade e, em casos extremos, legitima o feminicídio.

CB Debate

Próximo do Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dai 8 de março, o Correio promove, nesta quinta-feira (26/2), o CB.Debate "O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo”. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do YouTube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

A iniciativa ganha relevância diante de um Brasil que, apenas no último ano, registrou 1.470 feminicídios. O encontro é aberto à participação do público, que poderá enviar perguntas presencialmente ou por meio do YouTube do Correio, contribuindo para a construção de caminhos efetivos de acolhimento e proteção às vítimas de violência no DF.

Acompanhe:

  • Google Discover Icon
postado em 26/02/2026 12:17
x