O Museu Nacional da República foi tomado por cores, glitter e bandeiras neste sábado (14/2), durante o Bloco do Amor. Conhecido por levantar pautas de diversidade, inclusão e resistência, o evento reuniu uma multidão de foliões que buscavam celebrar o carnaval com liberdade, segurança e tranquilidade.
Entre fantasias criativas, personagens icônicos e críticas políticas estampadas em estandartes, o clima era de celebração, mas também de reflexão. Muitos reforçavam que o carnaval é um espaço de expressão, não de permissividade.
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Os amigos Paulo José Valério, 26 anos, bancário e morador da Octogonal; Sophia Hernades, 24, estudante do Jardim Botânico; e Luan do Planalto, 24, professor de Sobradinho, apostaram em uma fantasia com mensagem política contra a escala 6x1 de trabalho.
“Estamos com um estandarte pelo fim da escala 6x1. Nós somos do PCBR — Partido Comunista Brasileiro Revolucionário — e estamos aqui para trazer essa pauta, que é muito importante para a classe trabalhadora. Nós defendemos a escala 4x3, 30 horas semanais. Eu sou bancário, já trabalho 30 horas por semana, e não é por isso que os bancos vão falir. É uma escala plenamente possível e queremos que isso se estenda a toda a classe trabalhadora”, afirmou Paulo.
Sophia reforçou que a mensagem dialoga diretamente com o espírito do carnaval. “Nosso lema é trabalhar menos e viver mais. A gente pede essa redução da escala para que o trabalhador possa curtir o carnaval, ter mais tempo para viver, cuidar da saúde e da família. É uma pauta importante de ser trazida no carnaval, porque é o momento em que o trabalhador consegue se divertir”.
A trilha sonora da festa misturava ritmos e estilos, com predominância dos grandes hits carnavalescos de Pedro Sampaio, Melody e Anitta, que embalaram a multidão ao longo da tarde.
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Outro destaque do bloco foi a presença do grupo circense Arca de Arabescos. Com pernas de pau, roupas customizadas nas cores do bloco e bambolês, Lohrany Rego, 29, Sudré de Sousa, 24, e Lis Piantino, 23, chamavam atenção de quem passava para registrar fotos e vídeos.
“É sempre um sorriso imediato que tiramos das pessoas. Existe um espanto, porque é uma extensão corporal que não é comum, mas é uma ferramenta artística no carnaval. A gente carrega essa herança e usa para transformar e trocar afetos”, explicou Sudré, que confeccionou a própria fantasia.
Festa em família
O clima de segurança também atraiu famílias. Mais afastado da multidão, o analista de sistemas William Silva, 49 anos, morador do Noroeste, brincava com a filha Mariah, 3 anos, em meio à espuma e confetes.
“Aqui está muito bem estruturado em termos de segurança. Tem polícia, bombeiro, qualquer emergência a gente está resguardado. Foi isso que me fez trazê-la para se divertir. O importante do carnaval é a alegria, a cultura, os desfiles. No Brasil, o país para para viver esse momento. E aqui em Brasília, que dizem ser a capital do rock, todo mundo também para para curtir o carnaval”, disse.
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