Acidente na BR-020

Caminhoneiro relata desespero após colisão com cinco mortos: 'Nunca vai sair da minha cabeça'

Caminhoneiro identificado como Éder Erinaldo Costa descreveu ao Correio o momento da batida, a tentativa de socorro e diz que imagem de criança morta nos braços "nunca vai sair da cabeça" após tragédia

A colisão que deixou cinco mortos na BR-020, em Planaltina (DF), na manhã desta terça-feira (17/2), ganhou o relato emocionado do motorista da carreta envolvida no acidente. Em entrevista exclusiva ao Correio, Éder Erinaldo Costa, 39 anos, descreveu o momento da batida, o desespero no local e a tentativa de socorrer as vítimas — entre elas o menino Ravy Gael da Silva Vogado, de 5 anos.

“Eu carreguei o caminhão em Trindade, Pernambuco, e ia descarregar aqui em Brasília. Passando por Formosa, eu senti um pouco do impacto, freei a carreta, desci, e a primeira coisa que fiz quando vi o acidente foi levar a mão à cabeça, não sabia o que fazer, e começou a vir carro na via, eu fui sinalizar para não termos mais acidente”, contou.

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Segundo ele, a carreta seguia pela faixa da direita, a cerca de 40 a 50 km/h, quando a van atingiu a traseira do veículo. “Eu estava na média dos 40, 50 por hora. Mas pelo jeito que ele entrou na traseira da carreta, ele estava muito mais rápido”, afirmou. “Foi muito rápido. Eu estava na via e ele bateu, foi quando eu parei”, completou.

Após o impacto, o caminhoneiro disse que tentou organizar o socorro e evitar novos acidentes na rodovia. “Tentei parar algumas pessoas para poder acionar a PRF, bombeiros e Samu. Sinalizamos para nada mais acontecer. As pessoas passavam e ninguém parava para ajudar, só filmavam e tiravam foto”, relembrou.

O momento mais marcante, segundo Éder, foi quando uma das mães entregou o filho desacordado em seus braços. “A mãe do menino entregou ele nos meus braços e pediu para não deixar o filho morrer”, contou, emocionado. “Quando o socorro chegou, constataram que ele já estava morto. A sensação é horrível, péssima. E a imagem dele nos meus braços molinho, desacordado, acho que nunca vai sair da minha cabeça”, desabafou.

Éder afirmou, ainda, que, após o acidente, surgiram versões de que a carreta estaria parada na pista. Ele nega. “Disseram que a carreta estava quebrada em cima da pista, que eu não sinalizei, que o rapaz não viu. Minha carreta é monitorada. Qualquer coisa que acontecer, o seguro sabe”, reforçou. Caminhoneiro desde 2008, ele afirma nunca ter se envolvido em acidente. “Nunca tive um acidente, graças a Deus. Infelizmente, foi comigo”, concluiu.

A colisão ocorreu por volta das 5h, no km 52 da BR-020. Ao todo, cinco pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas. A 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) investiga as circunstâncias do acidente.

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