Mesmo na quarta-feira de cinzas, quando oficialmente o Carnaval chega ao fim, a folia seguiu firme no Setor Comercial Sul com o bloco Cinzeiro, que reuniu centenas de pessoas na Espelunca para estender a maratona carnavalesca. Em sua quarta edição, o bloco reafirmou a proposta de “carnavalizar” a data tradicionalmente marcada pelo recolhimento, oferecendo uma programação extensa, gratuita e acessível a quem trabalhou durante os dias oficiais da festa ou, simplesmente, não estava pronto para se despedir do Carnaval.
A programação começou às 15h e atravessou a tarde e a noite com apresentações intercaladas do DJ Cinzeiro, além de atrações como o Bloco Fiuza, o DJ Beatmilla, o grupo Cortando Cebola, o BATUKENJÉ, a banda Macetada e o encerramento com o DJ Pezão (Aparelhinho). O evento terminou com a tradicional “xepa”, quando foliões foram convidados a levar instrumentos para uma grande roda musical e um cortejo improvisado pelo centro da cidade, reforçando o caráter coletivo e participativo do bloco.
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Um dos fundadores e organizadores do Cinzeiro, Tum Thompson explicou que a iniciativa surgiu justamente para ocupar a quarta-feira de cinzas e ampliar o acesso à festa. “É uma oportunidade para quem trabalhou durante o carnaval também conseguir se divertir. Muita gente me agradece e diz que só consegue curtir por causa do Cinzeiro”, afirmou. Segundo ele, a escolha do Setor Comercial Sul levou em conta a facilidade de acesso e a menor interferência em áreas residenciais. “O Carnaval de Brasília está crescendo, ganhando corpo e sendo reconhecido até por pessoas de fora. Ele movimenta a cidade e a economia”, avaliou.
Entre os foliões, o clima era de celebração e diversidade. O produtor de eventos Giovanni Ravelly, 30 anos, saiu da Cidade Estrutural para acompanhar o bloco e destacou a variedade do Carnaval brasiliense. “Nossa cidade é repleta de bloquinhos bons. No Carnaval a gente quer sair para curtir, ainda mais quando o espaço é acessível e bem localizado”, disse. Fantasiado com um figurino inspirado em seu signo, Sagitário, ele elogiou a organização da festa. “Gostei muito. Fui a outros blocos no centro e achei tudo bem organizado. Está de parabéns.”
O Cinzeiro também atraiu foliões de diferentes idades e histórias. A médica aposentada Nélia Medeiros, moradora de Brasília há mais de 50 anos, acompanhou o bloco com emoção. “Perdi meu marido ano passado. Estou comemorando a alegria de estar viva, com saúde. É o que ele iria querer”, afirmou. Para ela, o Carnaval de rua da capital tem evoluído. “Está começando a melhorar a cada ano”, disse, convidando quem estava em casa a viver o presente.
