Entrevista

'Vejo o BRB com preocupação', afirma o deputado federal Alberto Fraga

Ao CB.Poder, o parlamentar comentou sobre os novos desdobramentos do caso Master. Presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, Fraga avaliou a aprovação do PL Antifacção. Ele também afirmou: "Eu gostaria muito de ser o vice do Arruda"

O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) comentou sobre a atual situação do BRB e sobre as ações tomadas pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para tentar socorrer a instituição financeira. No CB.Poder — programa em parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília —, o parlamentar  avaliou como "desastroso politicamente" o caso envolvendo os bancos Master e BRB. Às jornalistas Ana Maria Campos e Sibele Negromonte, Fraga também falou sobre as negociações eleitorais do partido para as eleições de 4 de outubro no DF. O também presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública avaliou a aprovação, na última terça-feira, do Projeto de Lei Antifacção, que endurece as penas para crimes violentos relacionados a facções criminosas.

Estamos enfrentando um problema nacional que tem muito impacto no DF, que é o caso Master-BRB. Como o senhor avalia esse projeto de tentar salvar a instituição com imóveis públicos?

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Eu vejo com muita preocupação. A gente sabia que o BRB era um banco sadio, uma instituição sólida. Por conta de uma ação equivocada, ou até mal-intencionada do governador, o banco está nessa situação. Eu atribuo a culpa principal ao Ibaneis (Rocha, governador), ele que tem que responder. Todo mundo sabia que o banco Master não era confiável. Quando o banco começou a dar aquelas vantagens de aplicações que resultavam em lucros fantásticos, estava na cara que tinha alguma coisa errada. "Quando a esmola é demais, o santo desconfia". Os deputados distritais, independentemente de serem da base do governo ou não, têm que entender que o patrimônio que está sendo colocado como garantia é um patrimônio do GDF, um patrimônio do cidadão brasiliense. 

Como avalia o impacto dessa polêmica neste ano de eleição?

Politicamente, é um desastre. Os distritais têm que pensar muito bem como vão votar nesse projeto em que o governador encaminhou para a Câmara (Legislativa). A população não vai esquecer, todo mundo sabe o grau de dificuldade em que o banco se encontra hoje. Esperamos que os deputados sejam de uma base aliada, e não de uma base alienada. Ibaneis tem dinheiro suficiente para viver bem, não precisa de política. Agora, os deputados precisam se reeleger, e eu tenho certeza absoluta de que eles encontrarão dificuldades. Ontem (terça-feira), fiquei muito feliz quando ouvi o discurso do Thiago Manzoni (PL-DF) na tribuna, não retiro uma palavra do que ele disse. Espero que o discurso dele sirva de orientação para os outros deputados que seguem em dúvida sobre o projeto.

Sobre as eleições que se aproximam, o PL tem mostrado algumas divergências em relação ao apoio a candidatos para o GDF. O senhor e o deputado Izalci Lucas apoiam o ex-governador José Roberto Arruda. A deputada Bia Kicis, presidente local do partido, colocou a pré-candidatura ao Senado ao lado da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro...

É uma situação um pouco complicada de explicar. Os membros do PL, como eu, Izalci e a própria Bia, não queremos apoiar o governo Ibaneis. A Michele declarou apoio a Celina (Leão, vice-governadora, do PP), e temos que entender que ela tem uma amizade pessoal com ela. Ibaneis não está nos projetos do PL. 

Sobre a pré-candidatura de Arruda, o senhor acredita que a Justiça Eleitoral vai permitir que ele se candidate?

À luz da nova Lei da Ficha Limpa, eu acredito que a candidatura dele vai ser registrada e vai poder disputar a eleição. Para mim, ele vai sair vitorioso. Eu pedi autorização e liberdade ao Valdemar (da Costa Neto) para apoiar o Arruda. Ele, que é uma pessoa muito sensata, disse que estava tudo bem. A minha intenção é permanecer no PL, acho que, quando você começa a trocar muito de partido, fica meio complicado. 

E para o seu futuro? Vai se candidatar à reeleição para deputado?

Em princípio, sou candidato à reeleição. Eu gostaria muito de ser o vice do Arruda, gostaria muito mesmo. Mas quem decide isso é o Arruda. Eu estou à disposição, inclusive; eu trocaria até de partido se for para fazer uma coligação. Estou disposto a isso.

Qual a sua avaliação sobre a aprovação do projeto Antifacção?

Conseguimos manter as penas mínimas para o crime organizado. Também foi criada uma tipicidade nova, que é de crime ultraviolento, referente aqueles que dominam cidades, a prática do novo cangaço, explosões de caixas de eletrônicas. Agora, as penas variam de 20 a 40 anos e, cumulativamente, podemos ter penas de até 70 anos. Outra medida que conseguimos é a retirada do auxílio reclusão desses presos. Eu acho um absurdo o país pagar auxílio para o criminoso.

 

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