
Por Manuela Sá
A presença feminina na história da Universidade de Brasília (UnB) ganha destaque em nova exposição que reúne desde os primeiros registros em preto e branco, quando poucas mulheres apareciam nas fotos de formatura, até imagens mais recentes, coloridas, em que elas deixam de ser minoria. Com 86 imagens de estudantes, professoras, pesquisadoras e funcionárias, Elas na UnB — Mulheres no Acervo Fotográfico do Arquivo Central será inaugurada amanhã, no Restaurante Universitário (RU) da instituição.
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A mostra, organizada a partir do acervo Arquivo Central, está dividida em quatro galerias: Mulheres pioneiras, O futuro é feminino, Memória coletiva e Anônimas presentes. A primeira parte é dedicada a retratos de quem marcou o cotidiano da instituição. A segunda, reúne momentos de mulheres em ação. A terceira, exemplos de trabalhos feitos em conjunto. Por fim, a exposição contém imagens de mulheres que ainda não foram identificadas nos registros. O objetivo é mobilizar o público para ajudar a reconhecer essas personagens.
As fotos foram escolhidas pelo arquivista Rafael Rosa, pelo assistente administrativo Alexsandro Bandeira e pelos estagiários Laila Manchineri e Zélú. Com o objetivo de dar visibilidade às diferentes mulheres que frequentaram a universidade, a seleção foi pensada para mostrar a pluralidade de experiências no ambiente acadêmico. "A gente quis explorar imagens em diferentes contextos. Há registros de mulheres em laboratórios, ingressando na UnB, dançando, entre outros", explica Laila.
Em um primeiro momento, o grupo escolheu mais de 100 fotos. No entanto, devido ao limite de espaço, reduziram para 86. Bandeira detalha que a organização foi pensada para que algumas das imagens constituam uma cronologia. "Por mais que essas fotos sejam de pessoas diferentes, a gente consegue agrupar e contar uma história. Apesar de ser simbólica, é uma narrativa compartilhada", diz.
A arquivista do Arquivo Central Suellen Borges enfatiza o papel da fotografia como forma efetiva de mostrar o dia a dia das mulheres. "A sensibilidade com que o fotógrafo, naquele momento, captou a imagem é única. A gente pode tentar fazer a tradução do texto, mas o impacto da imagem, do visual, é realmente singular. Quando a gente pensa em uma exposição fotográfica, pensamos nesse lugar de sensibilidade, de que os olhos podem ver aquilo que o pensamento e a boca não conseguem traduzir em palavras", analisa.
História
De acordo com Suellen, além de valorizar a história das mulheres, a exposição é uma oportunidade de aproximar o público do arquivo. "É uma maneira de dizer que o acervo existe, porque muita gente não sabe que ele está aberto ao público para ser pesquisado", destaca.
Entre as várias imagens que compõem a memória feminina da universidade, a também arquivista Kezia Cordeiro destaca uma de 1992 de duas estudantes amamentando em um momento de pausa durante as provas. "Eu me senti representada, porque sou mãe de três crianças. Sei muito bem quais são os desafios enfrentados. É difícil conseguir conciliar os pratos da maternidade e do trabalho", avalia.
A exposição integra o #8M, programação promovida pela Secretaria dos Direitos Humanos da UnB durante março, mês da mulher. Diferentes unidades da universidade, como o Arquivo Central, promovem ações em prol da defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero. Neste ano, o tema é Nenhuma a menos — mais vozes, mais acolhimentos, com foco no combate ao feminicídio.
Maria Célia Selem, secretária substituta de Direitos Humanos da UnB, enfatiza a importância de aproveitar esse período, em que serão feitas palestras, oficinas e lançamentos de livros, para pensar o presente. "O 8 de março é uma data para reflexão, não é somente para entregar flores e usar rosa", ressalta.
A secretária também enaltece o papel da exposição no sentido de resgatar experiências ignoradas com frequência. "Muitas vezes, quando a gente fala da história, acabamos esquecendo da participação das mulheres. A gente tem vozes silenciosas do passado que são muito importantes para construção do presente", afirma. "Uma universidade sem memória é uma universidade pela metade", acrescenta.
*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso
Saiba Mais
Serviço
Exposição Elas na UnB — Mulheres no Acervo Fotográfico do Arquivo Central
Quando: de 9 a 31 de março
Onde: Restaurante Universitário (RU) do câmpus Darcy Ribeiro. Horário: diariamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados (7h às 9h30; 11h às 14h30; 17h às 19h30). Entrada: gratuita. Haverá uma versão digital com link disponível no site arquivocentral.unb.br

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