MÊS DA MULHER

Desfile celebra o recomeço de mulheres vítimas de violência

Evento na Câmara Legislativa reuniu 25 mulheres assistidas pela Secretaria da Mulher para transformar histórias de dor em manifesto de autoestima

 06/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF -  Câmara Legislativa do Distrito Federal, Desfile Tecidas de Histórias. -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
06/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Câmara Legislativa do Distrito Federal, Desfile Tecidas de Histórias. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Protagonismo, esperança e resiliência feminina. No cenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a alegria frisada pelo recomeço emocionou inúmeras pessoas ali presentes. Na tarde desta sexta-feira (6/3), 25 mulheres que carregam cicatrizes de violência doméstica trocaram o silêncio pelo brilho da passarela. Mais do que um evento de moda, o desfile celebrou a ressignificação de vidas, que, por muito tempo, foram marcadas pelo medo.

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A ação é a parte visível de um trabalho realizado pelos Comitês de Proteção à Mulher da Secretaria da Mulher (SMDF). Segundo a subsecretária Luana Maia, o evento é uma ferramenta estratégica de comunicação, sobretudo por mostrar as assistidas pelas políticas públicas da capital federal. "Salvamos vidas levando informação. Fazemos desde a entrega de cartilhas até eventos como este, que dão um novo direcionamento às assistidas", pontua.

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Para muitas, a celebração foi a descoberta de que existe vida — e apoio — após o abuso. Maria Inês Campos Sampaio, 63 anos, suportou a violência por quatro décadas simplesmente por não saber que tinha para onde ir. "O silêncio me forçou a aguentar 40 anos de relação abusiva porque eu achava que ia para o meio da rua. Eu não tinha ideia dessa estrutura e desse acolhimento", detalha.

A passarela, assim, foi um grito de liberdade e um aviso para outras mulheres. "Um relacionamento tem que ser uma estrutura de respeito mútuo. Na hora que não há paz, não tem que continuar", reforça. A transformação estética serviu como combustível para a alma, especialmente para o resgate da autoestima. O stylist Jean Carlos Veira da Silva, responsável pela curadoria visual, destacou que o objetivo do evento veio, também, para trazer a feminilidade que a violência costuma apagar. 

Utilizando peças do designer Fernando Cardoso, ele buscou refletir a dualidade da mulher real: a trabalhadora, a sensual e a dona de si. "A autoestima vai sendo degradada com o tempo. Ver o olhar delas brilhando ao se verem prontas é o melhor resultado final", afirma Jean Carlos. O sentimento foi endossado por Laureci Alves de Almeida, 47, que comparou o tratamento recebido ao de uma supermodelo: "É a realização de um novo sonho. O carinho aqui faz tudo valer a pena".

  •  06/03/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF -  Câmara Legislativa do Distrito Federal, Desfile Tecidas de Histórias.
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O impacto das políticas públicas

A secretária da Mulher, Giselle Ferreira, destaca que o movimento também é um chamado para a sociedade, especialmente para o público masculino. "Essa temática é para convidar os homens a participar. Quando vemos uma política pública dando resultado, ficamos muito felizes", ressalta. Geralda Aparecida, 43, revela que desfilar foi uma forma de honrar o passado e proteger o futuro. Ela dedicou sua participação à memória da mãe e enviou um recado sobre educação doméstica. 

"Somos guerreiras e sobreviventes. Precisamos educar nossos filhos dentro de casa para que respeitem as mulheres. Eu passo isso para o meu filho", acredita. A deputada Jane Klebia também acompanhou o evento, definindo as participantes como "símbolos de quem buscou ajuda". Para quem esteve presente, ficou a mensagem de que, com a rede de apoio correta, o ponto final pode ser transformado em um novo começo.

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postado em 06/03/2026 20:56
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