
"Mãe, sua partida deixou um vazio enorme no meu coração." A frase escrita nas redes sociais por Felipe Moreira Silva, um dos filhos de Luana Moreira Marques, resume a dor que marcou a despedida da manicure de 41 anos, vítima de feminicídio cometido pelo ex-marido após cerca de 25 anos de relacionamento. O enterro ocorreu na tarde desta quarta-feira (11/3), no Cemitério Campo da Esperança de Planaltina.
Felipe esteve no local para dar o último adeus à mãe, assassinada na última segunda-feira (9/3). A cerimônia reuniu cerca de 150 pessoas entre familiares, amigos e conhecidos, que acompanharam o velório e o enterro em meio a lágrimas, abraços e gritos de indignação.
Durante a despedida, o ambiente era de comoção. Pessoas choravam, se abraçavam e tentavam consolar umas às outras diante da violência que interrompeu a vida de Luana. Em um dos momentos do velório, uma pessoa gritou: "Ela não merecia". A frase ecoou entre os presentes e sintetizou o sentimento de revolta diante do crime.
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Ao final da cerimônia, balões brancos com gás hélio foram soltos no céu de Planaltina. A homenagem silenciosa simbolizou a despedida de amigos e familiares que tentavam lidar com a perda repentina. Enquanto os balões subiam lentamente, muitos dos presentes observavam em silêncio, alguns ainda chorando.
Nas redes sociais, um filho da vítima publicou uma mensagem lembrando da mãe e do vínculo entre os dois. No texto, ele descreveu Luana como um exemplo de amor, força e carinho. Disse também que, mesmo com a ausência física, continuará sentindo a presença dela nos conselhos e ensinamentos que recebeu ao longo da vida.
Segundo ele, a memória da mãe permanecerá viva em cada gesto aprendido e em cada lembrança compartilhada pela família. A publicação gerou uma série de mensagens de apoio de amigos e conhecidos, que prestaram solidariedade aos familiares. No enterro, Felipe preferiu não se pronunciar.
A despedida também foi marcada por pedidos de justiça. Familiares e amigos vestiam camisetas brancas estampadas com o rosto de Luana. Acima da foto, uma palavra resumiu o sentimento de quem estava no local: "justiça". Muitos dos presentes se reuniam em pequenos grupos, lembrando histórias e momentos vividos ao lado da manicure.
Luana trabalhava em um salão de Sobradinho e era conhecida entre vizinhos, clientes e amigos pela dedicação ao trabalho e pelo jeito acolhedor. Segundo pessoas próximas, ela costumava manter uma rotina intensa entre o trabalho e os cuidados com a família.
Ela deixa dois filhos maiores de idade, uma filha menor de idade e um neto. A família descreveu Luana como uma mulher que sempre priorizou os filhos e que mantinha uma relação muito próxima com os amigos e vizinhos.
Eles lembraram da vítima como uma mulher batalhadora e sempre presente na vida das pessoas próximas. Karina Cardoso, amiga de Luana, disse que ainda não consegue acreditar no que aconteceu.
"Ainda estou em choque. Para mim, ainda é tudo mentira, um pesadelo", afirmou. Segundo ela, a manicure era alguém que se dedicava intensamente às pessoas ao redor. "A Luana era uma pessoa incrível. Apoiava a gente em tudo. Amava os meus filhos, mesmo sem serem netos dela, como se fossem."
Vizinha da vítima, Lidyanne de Castro também destacou o carinho que Luana demonstrava no dia a dia. Para ela, a amiga era uma pessoa próxima de todos e muito ligada à família.
"Ela era uma pessoa muito especial, carinhosa e respeitosa, uma mãe maravilhosa e uma avó apaixonada pelo netinho", contou. Segundo Lidyanne, a manicure mantinha sonhos simples, principalmente ligados à convivência com os filhos e com o neto.
"Ela sempre esteve ali com a gente em todos os momentos, felizes e tristes, e queria realizar muitos desejos", disse.
Confissão
O autor do crime é o ex-companheiro da vítima, Wellington Bezerra da Silva, de 43 anos, com quem ela manteve um relacionamento de cerca de 25 anos e com quem os filhos maiores moravam. A manicure foi morta a facadas dentro do carro, na última segunda-feira.
Após cometer o feminicídio, Wellington dirigiu até a 16ª Delegacia de Polícia de Planaltina, onde confessou o crime às autoridades. Wellington enviou uma mensagem de voz ao filho do casal logo após o crime, em que admite o crime. "Eu fiz merda. Matei sua mãe. Estou indo para a delegacia."
Ele foi preso no mesmo dia e passou por audiência de custódia na tarde da última terça-feira. Após a audiência, a Justiça do Distrito Federal converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, determinando que o suspeito permaneça detido enquanto o caso segue sob investigação. O feminicida confesso deve ser transferido nos próximos dias para o Complexo Penitenciário da Papuda.
Com a morte de Luana Moreira Marques, o Distrito Federal registra o terceiro feminicídio de 2026. O caso reforça a preocupação de autoridades e especialistas com a violência contra mulheres no país.

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