
Morador de Ceilândia há 48 anos, o cantor, compositor e produtor cultural Marcelo Café afirmou que a cidade não é apenas o lugar onde vive desde os cinco anos, mas também a região que o formou. "É a cidade que me forjou para ser a pessoa e o artista que sou hoje", ressalta.
Além de completar 55 anos de história, a maior cidade do Distrito Federal marca a trajetória de quem chegou ainda criança e encontrou um lar e identidade. Natural de Niterói (RJ), Marcelo, depois de uma breve passagem pelo Cruzeiro, consolidou-se em Ceilândia, onde vida realmente aconteceu.
Ele conta que a lembrança dos primeiros anos é marcada por dificuldades: ruas de terra, casas sem muros, falta de infraestrutura básica. "Era poeira para tudo quanto é lado. A gente tinha uma vida bastante precária", recorda. Em algumas regiões, faltava até água, e o deslocamento até o Plano Piloto era longo e cansativo. "No mínimo, três ônibus para chegarmos, mas lutávamos muito", diz.
Nesse contexto é que nasce o vínculo profundo com a cidade. Para Marcelo, Ceilândia é, antes de tudo, um território de acolhimento e superação. "Representa muita gente que mora aqui, principalmente por essa questão da acolhida e das histórias de superação", comenta. Formada majoritariamente por migrantes, a cidade se construiu a partir de encontros. "É um lugar onde você se reencontra e reconstrói as raízes", afirma.
A transformação ao longo das décadas também é motivo de orgulho. De "caldeirão do diabo", a região se firmou como potência cultural. "Ceilândia é um vendaval. Hoje tem comércio forte, artistas de várias linguagens e possibilidades de viver", define.
As memórias de infância no P Sul ajudam a explicar essa conexão. Os campinhos de futebol, os times de várzea como Flama, Real Madrid e Juventude. "Eram momentos de resgate, de evitar que a galera fosse para a marginalidade", conta. Em um cenário com poucas opções de lazer, a própria comunidade criava as alternativas. "O lazer virou uma marca de Ceilândia", ressalta.
Foi nesse ambiente que Marcelo se formou como artista e como homem. "Essa cidade me forjou como ser humano, como homem negro, como artista", resume.
Convivência
Agora, ele devolve esse percurso em forma de celebração. Amanhã, no aniversário de 53 anos do músico, ele realiza o projeto 'Café ao Ar Livre', na Praça da Feira Central. "É uma iniciativa minha, um presente que eu quero dar para a cidade", explica. Mais do que um show, a proposta é ocupar o espaço público com cultura e convivência. "É dizer que a gente tem direito ao lazer, que cultura é possibilidade para todos."
No palco, o repertório mistura músicas autorais e releituras que conversam com a memória afetiva da cidade. "É um passeio na minha obra e nas coisas que me marcaram por aqui", explica.
A apresentação contará com uma big band e a participação do coletivo Samba da Guariba, reforçando o espírito coletivo da celebração.
Show "Café ao Ar Livre" - Marcelo Café e Big Band, com participação do Samba da Guariba
Data: 28 de março
Local: Praça da Feira Central de Ceilândia
Horário: a partir das 10h
Entrada franca.
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