
O Tribunal do Júri de Águas Claras condenou o ex-médico Lauro Estevão Vaz pela morte da mãe, Zely Alves Curvo, de 94 anos, que morreu em um incêndio no apartamento em que morava no Residencial Monet, em maio de 2024. A sentença prevê 46 anos de prisão em regime inicial fechado.
O júri entendeu que Lauro provocou o incêndio por não aceitar perder a curatela e o acesso aos rendimentos da mãe. Segundo o juiz André Ribeiro, a condenação considerou três agravantes: emprego de fogo, homicídio contra ascendente e reincidência, já que Lauro havia sido condenado anteriormente por assediar sexualmente duas pacientes em exames clínicos de ginecologia, entre 2009 e 2010.
Além do homicídio, ele também foi condenado por fraude, por ter entrado no apartamento após o incêndio e retirar pertences antes da realização da perícia.
Relembre o caso
O incêndio ocorreu em 31 de maio de 2024. O laudo do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) indicou que as chamas tiveram início após ação humana e começaram no quarto onde Zely estava acamada. Quando o fogo foi controlado, o corpo da idosa foi encontrado carbonizado. Lauro chegou ao local próximo ao meio-dia, observou o corpo da mãe e deixou o apartamento.
Em depoimento, ele afirmou que mantinha uma boa relação com Zely e cuidava dela desde 2021. A idosa havia sofrido um AVC em 2022, ficando acamada e com demência. Lauro admitiu que a deixou sozinha com aparelhos elétricos ligados para levar uma ex-namorada ao trabalho e ir à academia. Depois do incêndio, retornou ao imóvel para pegar carnes e roupas, mas negou ter alterado a cena do crime, alegando que não havia isolamento policial no momento.
Em maio de 2023, Zely havia sido internada no Hospital Militar da Área de Brasília (HMab) após o AVC. Ela recebeu alta, mas Lauro se recusou a levá-la para casa. Em uma visita à mãe, ele se exaltou, a polícia foi chamada e ele chegou a ser detido.
Histórico de condenações
Lauro era médico ginecologista e foi condenado em primeira e segunda instâncias por ter tocado indevidamente duas pacientes, entre elas uma grávida de 17 anos, durante exames clínicos em 2009 e 2010. O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) também cassou seu registro profissional.

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