
Com diversos projetos de transformações culturais e sociais que marcam a história de Ceilândia, iniciativas comunitárias também reafirmam o papel da cidade como território de acolhimento e construção coletiva. É nesse contexto que atua o projeto social Instituto In Foco na formação de 300 crianças, jovens e pessoas em vulnerabilidade. O projeto une atividades como judô, jiu-jitsu, balé, futsal e treinamento funcional gratuitamente.
À frente da iniciativa, localizada na QNP 24, no P Sul, o diretor do instituto, Caio Gomes, 35 anos, nascido e criado na região, ressalta que a cidade é marcada pela diversidade e pela presença de migrantes. "Aqui, o projeto encontrou terreno fértil para atuar. Ceilândia é um lugar de acolhimento. É um polo que acolheu muitos nordestinos, um povo muito acolhedor e, para nós, é uma satisfação atuar aqui", enfatiza.
Caio Gomes reforça esse sentimento ao relembrar a própria trajetória e a ligação com a cidade. "Eu nasci e fui criado aqui. Ceilândia me formou como pessoa. Tudo que sou hoje tem muito daqui, das oportunidades e também das dificuldades que a gente enfrentou", afirma. Segundo ele, o projeto é também uma forma de retribuição. "Quando a gente cria um espaço como esse, não é só sobre esporte. É sobre dar direção, dar esperança. É mostrar para essas crianças que elas podem sonhar com algo diferente", acrescenta.
Quem sente esse impacto diretamente são as famílias atendidas. Antônio Martins, 37 anos, conheceu o Instituto In Foco por indicação de um amigo e decidiu levar o filho para participar das atividades. Morador de Ceilândia há cerca de 10 anos, ele veio do Piauí apenas para visitar familiares, mas acabou ficando. "Eu vim só pra passear, mas gostei daqui, arrumei emprego e estou até hoje. Ceilândia virou minha casa", conta. Hoje atuando como vigilante, ele destaca que encontrou na cidade não apenas oportunidades de trabalho, mas também um ambiente acolhedor para constituir a família.
Para Antônio, a identificação com Ceilândia foi imediata, especialmente pela forte presença da cultura nordestina. "Aqui tem tudo que lembra o Nordeste: a comida, as festas, o jeito das pessoas. A gente se sente em casa. O povo aqui é humilde, gosta de ajudar, isso faz toda a diferença para quem vem de fora", afirma.
Amor de pai para filha
Criado a partir de ações solidárias e do desejo de ampliar oportunidades, um instituto social de Ceilândia vem mudando a realidade de crianças, jovens e famílias ao oferecer acesso gratuito a atividades culturais, esportivas e educacionais. Fundado oficialmente em 2014, o projeto Meninos do Pôr do Sol nasceu da iniciativa de Ilário Silva, vigilante, que promovia eventos beneficentes e arrecadação de alimentos, evoluindo para uma estrutura que hoje atende cerca de 500 pessoas diretamente.
A paixão foi passada para a filha, que atua como coordenadora do projeto. "Nosso intuito é dar acesso. A comunidade vem, confia na gente e o nosso papel é correr atrás e trazer isso para eles. A gente quer proporcionar lazer, cultura e mostrar que, mesmo morando em Ceilândia, é possível ir além", explica Thayla Gabriela.
Com modalidades como judô, jiu-jitsu, futsal, balé, música e informática, o projeto também passou a atuar fortemente na assistência social após a pandemia, distribuindo alimentos para centenas de famílias em situação de vulnerabilidade. Ao todo, as ações acabam impactando até 3 mil pessoas de forma indireta.
Mais do que um espaço de atividades, Thayla declara que o instituto é como um símbolo da força comunitária. "Ceilândia é tudo. É um lugar onde tem de tudo, para todos os gostos, e onde a gente sempre encontra um jeito de crescer junto."
Para os moradores, o projeto reflete o espírito da própria cidade. A diarista Raimunda Lopes, 43 anos, define Ceilândia como parte essencial da trajetória. "Aqui é minha casa. Minha filha estuda, eu trabalho, resolvo tudo aqui. Ceilândia engloba toda a minha vida", ressalta.
Ela também destaca o papel acolhedor da região e das iniciativas locais. "Muita gente ainda tem preconceito, mas Ceilândia é uma bênção para mim e muitas outras pessoas. Aqui a gente encontra apoio, oportunidades e projetos como esse, que tiram as crianças da rua e acolhem de verdade", testemunha Raimunda.

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