ANIVERSÁRIO DE CEILÂNDIA

Entre sabores e afetos: comida da Feira da Ceilândia reúne cultura e memória

A comida que faz da Feira Central de Ceilândia um pedaço de casa reúne cultura e memória, atraindo moradores em busca de refeições caseiras e raízes nordestinas e mineiras


Edinara Bezerra, dona da banca da Galega -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Edinara Bezerra, dona da banca da Galega - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A Feira Central de Ceilândia é um encontro de sabores e memórias. É onde o cheiro de comida caseira se mistura aos sotaques e histórias de quem ajudou a construir a cidade, especialmente nordestinos e mineiros que encontram ali um pedaço de casa.

Não são raras as histórias de comerciantes que dedicaram décadas de vida ao mesmo espaço. É o caso de Edinara Bezerra, de 59 anos, conhecida como Galega, que há 33 anos comanda a tradicional Banca da Galega, com pratos feitos tradicionais.

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"A feira representa tudo na minha vida. Eu vim bem jovem, aprendi com meus pais, eles eram feirantes. E aqui eu trabalho com muito amor, fiz muitas amizades. Acredito que não só para mim, mas para todos os ceilandenses. A Ceilândia tem de tudo do melhor. Tudo eu consegui aqui. A gente não precisa ir para longe: preço bom, comidas boas, roupas boas, tudo. Fico muito feliz quando meus clientes me abraçam, agradecem e elogiam minha comida", diz.

Já na loja Kome in Pé, o feirante Francinaldo Pinho, 51, mantém viva a herança deixada pelo pai, que abriu o negócio em 1987. Hoje, ele representa a segunda geração à frente da casa, famosa pelos pratos típicos nordestinos, com destaque para o famoso mocotó.

"É uma comida que dá energia: mocotó, sarapatel, dobradinha, buchada de bode. Tudo isso chama muito a atenção dos clientes. O mocotó não pode faltar. Tem muito turista que vem para cá e não encontra esses pratos nem na cidade deles. São comidas raízes, que lembram a infância. E o segredo é que todas as pessoas que fazem a comida aqui são nordestinas também", destaca.

Ceilândia é o encontro de diversas culturas. No Cantinho do Nordeste, o feirante Kevin dos Santos, 23, atende clientes em busca de produtos típicos. "Vendemos castanhas, queijos, doces, tem muita variedade. Nosso público varia do mineiro ao nordestino. A loja existe há cerca de 40 anos. Os nordestinos gostam bastante de rapadura, já os mineiros procuram queijo fresco. Atendemos pelo menos umas 50 pessoas por dia. A Feira da Ceilândia é um patrimônio cultural, aqui cresceram pessoas e nasceram comércios", afirma.

Na área de alimentos frescos, a procura por qualidade e tradição também chama atenção. Alisson Fernardes, 31, trabalha com pescados e aves e explica que o diferencial está na escolha personalizada.

"Geralmente, o pessoal pede para matar na hora e leva a galinha inteira, já depenada. Vai tudo certinho para quando chegar em casa só temperar. Em Ceilândia, tem muito nordestino, então eles gostam de preparar galinhada, galinha com quiabo ou pequi, com o sabor original. Há pais que trazem os filhos só para ver as galinhas. No mercado, o frango congelado perde o sabor. Aqui, o cliente escolhe do tamanho que quer. A feira te dá qualidade e liberdade", explica. Ele ainda ressalta que, na Semana Santa, a procura por peixes aumenta significativamente.


  • Alisson: liberdade para o cliente escolher o produto
    Alisson: liberdade para o cliente escolher o produto Foto: Fotos: Vitória Torres/CB/D.A Press
  • Kevin:
    Kevin: "Atendemos pelo menos 50 pessoas por dia" Foto: Vitória Torres/CB
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postado em 27/03/2026 06:02
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