Aniversário de Ceilândia

Moda que se reinventa: Ceilândia dá aula em espaços de reaproveitamento

Com mais de 20 espaços dedicados ao reaproveitamento de roupas, brechós apostam na sustentabilidade sem perder a originalidade

O casal Ludmila e Mayan gosta de garimpar peças, principalmente roupas vintage     -  (crédito:   Bruna Gaston/CB/D.A Press)
O casal Ludmila e Mayan gosta de garimpar peças, principalmente roupas vintage - (crédito: Bruna Gaston/CB/D.A Press)

A moda circular vem ganhando cada vez mais espaço em Ceilândia, onde mais de 20 brechós e bazares de roupas movimentam a economia local. Esse consumo consciente em adquirir peças usadas vai além de uma alternativa econômica: é um movimento social para defender a sustentabilidade, além de gerar renda em uma zona periférica.

A primeira loja do gênero da região foi o Brechó da Glória, localizado no centro da cidade. Com de 54 anos de existência, praticamente a mesma idade de Ceilândia, reúne desde peças a partir de R$ 2 até itens de marcas de luxo. Entre os achados, é possível encontrar casacos de pele de coelho, calças de esqui, vestidos de casamento e fantasias disponíveis para aluguel.

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A fundadora Maria Glória Silvério, 71 anos, acompanha de perto a fidelidade dos clientes ao longo das décadas. "Tem gente que vem há 50 anos aqui. Continuo porque amo trabalhar com isso. Amo arte, cinema e teatro. Cada cliente tem uma história, um compromisso e eu tento ao máximo ajudar e fazer parte desse momento", conta.

A filha, Aline Silvério, 39, comenta a importância do negócio. "É o brechó mais antigo do DF. A casa é Ceilândia, não existe a menor chance de sairmos daqui. Nós atendemos todos os públicos e todas as regiões, pois a moda circular popularizou muito", afirma.

Representando uma nova geração de empreendedores, o To Face Brechó surgiu em 2017, criado pelo casal Ludmila Barbosa e Mayan Martins, ambos de 28 anos. Motivados pelo gosto de garimpar peças, o negócio alcançou a marca de mais de 20 mil itens vendidos. 

Para Ludmila, o crescimento dos brechós está diretamente ligado à realidade econômica da cidade. "Ceilândia tem muita potência em relação a consumo, trabalho e mão de obra. A economia é muito forte. A moda circular traz acessibilidade para as pessoas poderem se vestir melhor pagando menos. As lojas de varejo estão ficando muito caras, de forma exorbitante. E Ceilândia, por ser muito populosa, automaticamente vai ter um desapego maior de peças e os bazares vão ficar mais recheados também", explica.

Mayan ressalta que o movimento também tem invertido fluxos tradicionais de consumo. "Nós temos clientes do Plano Piloto e de todo o Entorno. A galera se move até aqui, sendo que estamos acostumados que a periferia vá até o centro. Agora, estamos fazendo pessoas que nem conheciam Ceilândia virem para cá", diz.

Além dos empreendedores, iniciativas independentes têm contribuído para fortalecer o setor. É o caso do Remoda, idealizado por Rafaela Lacerda, 22, produtora cultural e designer de moda. O evento surgiu com o objetivo de conectar brechós para que pequenos negócios possam ser impulsionados através do mercado de roupas. 

"O Remoda começou a partir do meu desejo de movimentar a cena da moda sustentável na periferia e criar oportunidades reais para quem trabalha com brechó e moda circular. Começou de forma independente, conectando pequenos empreendedores e dando visibilidade a um mercado que existia, mas ainda era pouco valorizado".

Segundo Rafaela, o crescimento do número de brechós na região é motivo de orgulho. "A quantidade de brechós em Ceilândia mostra que existe uma cultura forte de reaproveitamento e consumo consciente. Muitas pessoas encontraram nesse mercado uma forma de empreender e gerar renda. Existe público, existe demanda e existe uma rede que pode crescer ainda mais", completa.

 

 

  • Glória mostra registros do início da atividade
    Glória mostra registros do início da atividade Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press
  • Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias
    Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias Foto: Minervino Júnior/CB
  • Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias
    Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias Foto: Minervino Júnior/CB
  • Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias
    Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias Foto: Minervino Júnior/CB
  • Dona Glória vestindo o casaco de pele de coelho
    Dona Glória vestindo o casaco de pele de coelho Foto: Minervino Júnior/CB
  • Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias
    Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias Foto: Minervino Júnior/CB
  • Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias
    Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias Foto: Minervino Júnior/CB
  • Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias
    Dona Glória vende pessoas novas e usadas, além de alugar fantasias Foto: Minervino Júnior/CB
  • Ludmila e Mayan são apaixonados por garimpar peças e procurar, principalmente, roupas vintage
    Ludmila e Mayan são apaixonados por garimpar peças e procurar, principalmente, roupas vintage Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  • Ludmila e Mayan são apaixonados por garimpar peças e procurar, principalmente, roupas vintage
    Ludmila e Mayan são apaixonados por garimpar peças e procurar, principalmente, roupas vintage Foto: Bruna Gaston CB/DA Press
  • A produtora cultural Rafaela Lacerda criou o evento Remoda, que reúne brechós do DF
    A produtora cultural Rafaela Lacerda criou o evento Remoda, que reúne brechós do DF Foto: Reprodução/Instagram/ @itsrafa.03
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postado em 27/03/2026 05:00
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