
O estilo que define Ceilândia é a forma de expressão. Carregando identidade, resistência e pertencimento, elementos como o boné aba reta e o chamado estilo "cool cat" traduzem no vestir a realidade da cultura periférica, com orgulho de "ser da quebrada".
Para o rapper Marcos Vinicios Morais, 55 anos, conhecido como Japão, líder do grupo Viela 17 e criador da marca Viela17 Shop, o boné aba reta vai muito além de um acessório.
"O boné aba reta é o topo da identificação. Por muitas vezes esse acessório é encarado de um modo marginalizado, de quem está à margem, mas de forma nenhuma nos atinge. Um boné aba reta, além de um acessório, carrega atitude e protagonismo", afirma.
Segundo ele, a diversidade de estilos existe, mas a influência urbana é predominante. "O ceilandense tem um estilo múltiplo: tem os que amam a arte urbana, outros são mais casuais e outros sociais. Mas, quando se trata de roupas ligadas à cidade, são unânimes no estilo urbano. Nosso foco é manter a cidade em evidência e criar um bairrismo saudável de identificação, não só para quem mora aqui, mas para todos que se conectam com essa cultura", completa.
Popular nas periferias
Outro estilo que ganha força nas ruas é o "cool cat", marcado por peças confortáveis, estampas grandes e referências ao skate, ao surfe e à cultura jovem. Popular nas periferias do DF, o visual também carrega estigmas e, muitas vezes, é rotulado de forma pejorativa como "estilo peba". Ainda assim, segue como uma das principais escolhas de quem busca autenticidade.
No Shopping JK, lojas apostam na estética desse público. Na Pahala, a gerente Mayara Lorrany Nunes observa uma busca crescente por peças que representem identidade.
"O público quer vestimentas mais autorais, peças exclusivas, algo que seja a cara dele. O boné aba reta tem muita procura, porque é uma identificação da periferia. Esse estilo significa se reconhecer na realidade que vive", explica.
Ela também comenta sobre os preconceitos enfrentados pelo estilo de roupa. "Essa moda não foi feita para ser marginalizada, mas caiu tanto no gosto da galera que virou popular. São peças bonitas, autênticas, com conforto e durabilidade. O julgamento não quer dizer nada. A roupa não diz nada. Mas, mesmo assim, ainda existe um público muito fiel", comenta.
Na MCD, a vendedora Julia Albuquerque destaca que o streetwear se consolidou no mercado há décadas e segue forte entre os jovens da região. "O streetwear é tendência há mais de 30 anos. A galera de Ceilândia curte muito as estampas e como a moda se transforma. É sobre diversidade, autenticidade e postura. Quem tem preconceito é porque tem uma mente mais restrita. As pessoas precisam se vestir como gostam".

Cidades DF
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