
A secretária da Mulher do Distrito Federal, Giselle Ferreira, afirmou, nesta quinta-feira (26/3), em entrevista ao Podcast do Correio, que o enfrentamento à violência de gênero exige políticas públicas contínuas e estruturadas. Às jornalistas Mariana Niederauer e Ana Raquel Lelles, ela detalhou as estratégias adotadas pela pasta para garantir proteção e autonomia às mulheres ao longo de todo o ano, e não apenas em março, no mês da mulher.
“É uma pauta que a gente trata com muita seriedade. De janeiro a janeiro, 24 horas por dia, somos mulheres. Então, precisamos ter esse olhar para todas. Temos intensificado campanhas, aumentado o número de equipamentos públicos e o orçamento, porque uma política pública de seriedade precisa de investimento”, afirmou. Ela destacou ainda medidas como o aluguel social e o transporte gratuito para mulheres atendidas conseguirem romper o ciclo de violência.
Para a secretária, a independência financeira é um dos principais caminhos para libertar mulheres de situações de agressão. “A porta de saída para o mundo sem violência contra as mulheres passa pela autonomia econômica. Muitas vezes, pensamos nos filhos, na família, e não sabemos para onde ir”, explicou. Nesse sentido, a secretaria tem ampliado a atuação dos centros de atendimento, como a Casa da Mulher Brasileira de Ceilândia, que funciona 24 horas e oferece acolhimento, apoio psicológico, orientação jurídica e capacitações profissionais.
Entre os cursos oferecidos estão atividades voltadas ao empreendedorismo e à geração de renda, como design de sobrancelhas, artesanato, produção de amigurumi e marketing digital. “A gente quer muito mais do que uma porta de entrada, queremos uma porta de saída. Queremos nossas mulheres vivas”, observa.
"Setenta por cento das mulheres que foram vítimas de feminicídio não tinham nenhum tipo de registro. E 63% das famílias sabiam da violência”, acrescentou.
A adesão às capacitações, segundo ela, tem crescido gradualmente, à medida que se rompe o estigma sobre os serviços oferecidos. “Algumas, acham que a Casa da Mulher Brasileira é uma loja. Outras, acreditam que esse tipo de atendimento só é feito na delegacia. Mas nem sempre ela quer denunciar naquele momento, ela pode querer orientação e acolhimento primeiro”, disse.
Ela também ressaltou a importância de incluir os homens no diálogo, por exemplo, com o Espaço Acolher, que se responsabiliza pela conscientização.
Novidade
O GDF planeja expandir a rede de atendimento com novas unidades. Estão previstas a construção de uma Casa da Mulher Brasileira na Asa Sul e a implantação de um centro de atendimento no Riacho Fundo II. Além disso, a secretária sublinhou o desejo de reforçar ações em regiões com aumento nos índices de violência, como Arapoanga e Planaltina. “Se a mulher não vai até a Casa da Mulher Brasileira, a Casa vai até a mulher. Quem tem que ter vergonha é o agressor”.
Corrida
Para encerrar o mês de março, a pasta promove neste sábado (28/3) a Corrida Circuito da Mulher, com expectativa de reunir 6,5 mil participantes em frente ao Buriti. “É mais do que uma corrida. É para mostrar que estamos unidas e que um mundo melhor passa pelo cuidado com as nossas mulheres”, avaliou.
Assista à entrevista
Saiba Mais
Canais de atendimento
» 180: para orientação e denúncias;
» 197, Polícia Civil, para denúncias anônimas;
» 190, Polícia Militar, em casos de emergência.
FRASE
A porta de saída para o mundo sem violência contra as mulheres passa pela autonomia econômica. Muitas vezes, pensamos nos filhos, na família, e não sabemos para onde ir”

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