Sistema penal

Mobilização de policiais penais paralisa visitas na Papuda e famílias protestam

Em alguns blocos dos cinco presídios, a visitação está suspensa há quase um mês. A remarcação de datas levou parentes a convocar uma manifestação para a próxima terça-feira (7/4)

Revista íntima deve obedecer a uma série de critérios e só poderá ser realizada com consentimento -  (crédito: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Revista íntima deve obedecer a uma série de critérios e só poderá ser realizada com consentimento - (crédito: Breno Fortes/CB/D.A Press)

A mobilização dos policiais penais do DF por reestruturação da carreira impactou as visitas familiares a presos do Complexo Penitenciário da Papuda. Em alguns blocos dos cinco presídios, a visitação está suspensa há quase um mês. A remarcação de datas levou parentes a convocar uma manifestação para a próxima terça-feira (7/4).

Em um grupo de familiares de presos circula um anúncio para o manifesto. O ato ocorrerá às 10h, em frente à Vara de Execuções Penais (VEP). Os presentes caminharão em protesto até o Palácio do Buriti. “Famílias afastadas, internos abandonados, direitos violados”, diz o cartaz.

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Nos seis presídios, as visitas ocorrem em dias e horários distintos — incluindo as de crianças. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF), as visitas presenciais estão sendo remarcadas para datas futuras, como medida necessária para garantir a segurança dos visitantes e das pessoas privadas de liberdade. “A Seape assegura que todas as visitas afetadas serão devidamente repostas assim que a situação envolvendo a mobilização sindical dos policiais penais estiver normalizada.”

A Seape-DF divulgou, via Instagram, as novas datas das visitas. Veja abaixo:

25/3 - 10/04
26/3 - 17/04
27/3 - 20/04
1 e 2/4 - 27/4 e 04/5

Paralisação

Desde 23 de março, policiais penais se concentram frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A corporação cobra a regulamentação da carreira e o cumprimento de acordos salariais firmados com o GDF, mas que precisam ser executados pelo Governo Federal.

A mobilização reúne agentes que denunciam a falta de avanços desde 2019, quando a categoria iniciou a luta pela regulamentação. Segundo o presidente do sindicato, Paulo Rogério, o objetivo do ato é destravar o processo que garante segurança jurídica e financeira aos profissionais. “A principal reivindicação é a regulamentação da Polícia Penal do Distrito Federal. A carreira luta desde 2019 para que esse mandamento constitucional seja cumprido”, afirmou.

De acordo com o presidente, enquanto outras forças de segurança, como policiais militares, civis e bombeiros, já foram contempladas com reajustes e benefícios, os policiais penais seguem sem os mesmos direitos. “Tudo o que é concedido às demais forças de segurança pública é negado para a Polícia Penal”, criticou.

Um dos entraves, segundo ele, é a inclusão da categoria no Fundo Constitucional do Distrito Federal, etapa considerada essencial para viabilizar os reajustes. O processo, no entanto, enfrenta prazos apertados por conta do calendário eleitoral. “Queremos a manutenção da tabela que já foi enviada pelo próprio GDF, para que ela seja aprovada em forma de lei e possa entrar em vigor”, explicou.

O presidente também destacou que a proposta já foi encaminhada pelo Governo do Distrito Federal em outubro do ano passado, mas ainda depende de avanços em âmbito federal, no Ministério da Gestão e Inovação.

Diante do impasse, a categoria busca apoio de parlamentares distritais e federais para acelerar a tramitação e garantir a aprovação antes do período eleitoral. Caso contrário, há risco de novos atrasos.

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postado em 31/03/2026 22:39 / atualizado em 31/03/2026 22:49
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