Os deputados distritais da base do governador Ibaneis Rocha (MDB) estão preocupados com o projeto de lei que prevê o uso de imóveis do GDF como garantia de empréstimos do BRB, discutido nesta segunda-feira (2/3), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Segundo os parlamentares, o principal receio é de que a proposta não resolva efetivamente a situação do banco.
A reunião, a portas fechadas, reúne deputados distritais, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, os diretores do banco, além de representantes da Terracap. O encontro teve início pela manhã mas, por conta da quantidade de perguntas dos parlamentares, precisou se estender até a parte da tarde, sem previsão de encerramento.
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Para o deputado Roosevelt Vilela (PL), a reunião ajudou a esclarecer parte das dúvidas dos parlamentares sobre o projeto de lei. Segundo ele, o dirigente tem apresentado argumentos técnicos e demonstrado segurança nas explicações. “Ele tem uma capacidade de se expressar muito boa. Então, algumas dúvidas que nós tínhamos estão sendo esclarecidas. Acho que agora à tarde a gente vai avançar bastante”, declarou. Questionado sobre a possibilidade de o texto ser votado ainda nesta semana, o distrital ponderou que a definição depende da presidência da Casa e dos líderes partidários.
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Roosevelt também destacou que a principal preocupação é evitar a aprovação de uma proposta que não resolva efetivamente a situação do banco. “A preocupação é nós votarmos um projeto que, em tese, não resolva o problema”, disse. Sobre o risco de o BRB sofrer liquidação caso o projeto não seja aprovado, o deputado afirmou que as informações estão sendo analisadas pela equipe técnica do gabinete. “O presidente é uma pessoa muito técnica, passa muita confiança, mas a gente também, por meio da nossa assessoria, está confrontando todas essas informações para ter clareza em tudo que está sendo dito”, completou.
O deputado João Cardoso (Avante), também da base governista, afirmou que o projeto em discussão precisa ter todas as dúvidas sanadas antes de qualquer votação. “Para mim, como técnico, como auditor fiscal antes de ser deputado, todas as dúvidas têm que ser resolvidas. Tudo isso tem que estar muito claro, de uma forma que tanto o Distrito Federal como também a sociedade sejam contemplados, e não simplesmente pegar o projeto aprovado do jeito que está sem fazer essas ponderações e possíveis alterações”, declarou.
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Cardoso destacou ainda que a maior preocupação é que o texto não cumpra o objetivo de solucionar a situação do banco. “A maior preocupação é que o projeto não atenda o seu objetivo. Principalmente que a sociedade seja informada de tudo aquilo que está acontecendo”, afirmou. O deputado também defendeu investigação caso haja indícios de irregularidades. “Se houve realmente uma questão de má gestão ou alguma coisa que não foi feita dentro da legalidade, que as pessoas que cometeram a ilegalidade sejam punidas”, disse. Para ele, diante do volume de questionamentos, é pouco provável que o projeto seja votado ainda nesta semana. “Talvez não, porque os questionamentos são muitos. Não só aqui na Câmara, como também de várias instituições da sociedade do Distrito Federal.”
Oposição
Na oposição, o sentimento também é de preocupação. O deputado Gabriel Magno (PT) afirmou que a direção do banco não respondeu ao que considera a pergunta central da crise: o tamanho real do rombo. “Qual é o tamanho do rombo? Isso não foi respondido lá dentro. Perguntamos se os R$ 6,6 bilhões previstos no projeto seriam suficientes para acabar com a crise, e a resposta foi que era para manter o banco em pé”, declarou.
Para o parlamentar, a medida é insuficiente. “Pela fala da manhã, nos parece que R$ 6,6 bilhões é uma ação paliativa, não resolve todo o problema. A sociedade merece saber qual é o tamanho do rombo”, acrescentou, defendendo que qualquer solução precisa vir acompanhada da responsabilização de quem levou o banco à atual situação.
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Magno também criticou o que chamou de “terrorismo” por parte da presidência do banco ao alertar para um possível colapso caso o projeto não seja aprovado. “Ameaçar parlamentares e a Câmara Legislativa, que não criou o problema, me parece muito grave e é um risco para a própria democracia”, afirmou.
O deputado questionou ainda as negociações feitas com o Banco Master e a compra de carteiras bilionárias. “Qual foi o critério técnico que levou a gestão do BRB a negociar mais de R$ 20 bilhões em carteiras? Os alertas foram feitos e, ainda assim, os negócios foram realizados”, disse. Para ele, o texto em análise concede um “cheque em branco” ao governo ao permitir venda de imóveis, transformação em fundo e aportes do Tesouro sem nova autorização legislativa. “Nós não estamos convencidos de que a Câmara deve assinar esse cheque em branco para quem já mostrou que não dá para confiar”, concluiu.
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