Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), comer fora de casa ficou mais caro no Distrito Federal. Os dados apurados pela instituição revelam que o setor de alimentação teve um aumento de 0,29% em fevereiro que impactou no consumo alimentício fora de casa, tanto com refeições quanto com lanches, em 0,83%. Parece baixo, mas a alta nos custos surpreendeu consumidores e empresários. Novas opções e adaptações são feitas para evitar um gasto ainda maior.
Entre os itens que mais aumentaram de preço no cardápio, estão: Tubérculos, raízes e legumes (4,88%), Pescados (2,13%), Carnes (1,47%) e Carnes e peixes industrializados (1%). O encarecimento desses produtos faz com que consumidores pensem em formas de economizar na hora do almoço. Larissa de Pádua, 21 anos, sabe bem o que escolher para reduzir as despesas com refeições. Para ela, ir em restaurantes por quilo se mostram mais vantajosos. "Em comparação com pratos executivos, esse tipo de serviço tem um menu de opções maior. Consigo colocar vários tipos de comida no prato e, mesmo assim, não ultrapassa o valor que é cobrado no a la carte", afirmou.
Mesmo com os aumentos, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel DF), Thales Furtado, avalia que não houve retração, mas uma adaptação do comportamento dos clientes. "O brasiliense continua saindo para comer fora, mas está mais atento ao custo-benefício. O consumidor ficou mais seletivo e sensível ao preço", analisou.
Larissa relata que conseguia encontrar refeições por R$ 18 a R$ 20, mas, hoje, o almoço mais barato não sai por menos de R$ 30. Ela investe em outras alternativas, como reduzir a quantidade de comida que coloca no prato ou até outro tipo de alimento, mais barato e mais rápido. "A gente tem que procurar várias opções para o almoço, de marmita de casa até lanches, que, embora mais acessíveis, não saciam totalmente", contou.
O professor Carlos Alberto Ramos, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que a forma do consumidor economizar é priorizar refeições feitas em casa. "Ainda é preferível consumir refeições em casa ou até preparar para levar para o trabalho. Além da economia financeira, alimentos preparados em casa costumam ser mais saudáveis também", disse.
Impacto comercial
Dono de um restaurante na Feira Permanente do Cruzeiro, Eron Ibrahin, 55, afirma que o aumento nos preços aconteceu de uma forma geral, englobando diversos fatores. "Para nós, feirantes, começa no aluguel da própria banca, que também aumentou. Fora a comida em sim, ainda tem o aumento no custo da embalagem e outros produtos como pimenta, azeite e temperos que o cliente não tem que pagar", alegou.
Segundo o levantamento feito pela Abrasel, o valor repassado aos clientes ficou entre 5% e 12%. Segundo o presidente da associação, o costume dos restaurantes é repassar apenas parte da inflação dos custos. "Além disso, muitos empresários acabam absorvendo parte do aumento para não perder competitividade", disse Thales Furtado.
Ibrahin está na feira do Cruzeiro há três anos. O comerciante conta que tenta, ao máximo, não repassar o custo para os clientes, mas que, às vezes, é impossível acumular tantas despesas. "A gente calcula muito bem para passar o mínimo do custo possível, até para não perder nossa clientela", argumentou. Do fim do ano para cá, o preço do prato oferecido no estabelecimento teve um acréscimo de R$ 3. Ibrahim relata que, mesmo um aumento irrisório, pesa muito no bolso do consumidor. "Para eles, é como se fosse um grande aumento. Mas não é o valor total que aumenta para nós", acrescentou.
Uma das estratégias que adotou nos últimos anos foi comprar produtos em atacado em uma quantidade suficiente para a semana toda. Ibrahin conta que faz isso para evitar gastar ainda mais e ter que repassar para o consumidor.
Efeitos da guerra
Uma das estratégias que adotou nos últimos anos foi comprar uma produtos em atacado em uma quantidade suficiente para a semana toda. Ibrahin conta que faz isso para evitar gastar ainda mais e ter que repassar para o consumidor. "Eu e minha esposa sempre procuramos promoções em atacado no início da semana. Fazemos isso para que os custos com a mercadoria e com a gasolina, necessária para o trajeto, não seja contabilizado no valor da refeição", comentou.
O aumento dos preços tendem a aumentar devido ao novo conflito armado que está acontecendo no Oriente Médio. O professor de economia Carlos Alberto Ramos explica que apesar da distância de cerca de 12 mil quilômetros de Brasília, o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel tem impacto nos produtos ou serviços afetados, principalmente os relacionados a transporte e agricultura. “Tudo que está vinculado a esse contexto pode sofrer uma variação nos preços. O petróleo e os fertilizantes, por exemplo, podem subir. Todo esse cenário vai influenciar os preços na nossa alimentação”, explicou.
Larissa de Pádua também comenta que também percebeu a redução da quantidade e qualidade da comida. "Houve sim a diminuição das porções servidas. Em alguns lugares que já comi, parece que estavam usando alimentos ultra-processados no lugar da comida de verdade", disse.
Apesar de reduzir os custos, a prática não é incentivada pela Abrasel. O presidente da associação, Thales Furtado, afirma que não é "uma prática generalizada". Para ele, o caminho correto para as empresas é tentar renegociar com fornecedores para manter a qualidade. "Existe uma preocupação grande com a percepção de valor do cliente, já que reduzir qualidade ou quantidade pode afetar a fidelização. Há uma constante pressão simultânea de custos", explicou.
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