Uma operação da Polícia Federal (PF) feita na manhã desta terça-feira (10/3) mira uma organização criminosa suspeita de aliciar mulheres brasileiras para exploração sexual na Europa. A investigação aponta que as vítimas eram recrutadas com promessas de altos ganhos e viagens financiadas, mas acabavam submetidas a ameaças, controle e repasse obrigatório de dinheiro ao grupo criminoso. Uma das vítimas identificadas no esquema é do Distrito Federal.
A ação cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, expedidos pela Justiça Federal. As medidas têm como objetivo reunir provas, interromper as atividades da organização e desmontar a estrutura financeira.
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Durante a operação, a Justiça também determinou o bloqueio de bens ligados aos investigados, incluindo contas bancárias, criptomoedas, veículos e imóveis. O bloqueio de ativos pode chegar a cerca de R$4,7 milhões, valor que, segundo os investigadores, estaria relacionado às atividades ilícitas do grupo.
As apurações começaram após o depoimento de uma vítima que viajou ao exterior por meio do esquema e relatou ter sofrido violência e ameaças por parte dos integrantes da organização. A partir do relato, os investigadores identificaram outras mulheres que teriam sido recrutadas e submetidas a situações semelhantes de exploração.
Segundo a PF, o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair vítimas. As mulheres recebiam promessas de trabalho lucrativo, com passagens aéreas e hospedagem pagas. Ao chegarem aos países de destino, no entanto, eram obrigadas a cumprir regras impostas pela organização, repassar parte significativa dos valores obtidos e permanecer sob constante vigilância e intimidação.
A investigação conta com o apoio da Divisão de Repressão ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes e das equipes da Base de Enfrentamento à Promoção da Migração Ilegal e Crimes Conexos de São Paulo, responsáveis pelo cumprimento das ordens judiciais.
Em nota, a PF reforçou o compromisso no combate ao tráfico internacional de pessoas e orientou que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 194 ou pelo site oficial da instituição.
