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'É fundamental considerar quem vive a cidade todos os dias', afirma ativista

No CB.Debate, produtora cultural Thânisia Cruz destacou o protagonismo de mulheres negras, força das mobilizações sociais e transformação de espaços urbanos de Ceilândia

A força das mobilizações sociais e o protagonismo de mulheres negras na construção de uma Ceilândia mais sustentável e inclusiva marcaram o segundo painel do CB.Debate — Ceilândia em movimento, promovido pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (31/3). Durante a discussão sobre sustentabilidade, cultura e transformação urbana, a produtora cultural e ativista Thânisia Cruz defendeu a importância da participação popular na construção do futuro da cidade.

Nascida e criada na região, Thânisia ressaltou que o debate sobre desenvolvimento precisa incluir as vivências de quem constrói o território no dia a dia. “Esse é o momento para que pessoas como eu, da Ceilândia, tenham a oportunidade de construir novas ideias, conversar sobre a realidade da nossa cidade e pensar esse futuro sustentável que já é agora”, afirmou.

Integrante do comitê da Marcha das Mulheres Negras do Distrito Federal, a ativista destacou o impacto das mobilizações sociais na ampliação de espaços de participação e formação política. “A marcha não acontece só no dia em que vai para a rua. Existe todo um processo anterior de diálogo, formação e articulação com mulheres e diferentes setores. Isso cria novas oportunidades para que as pessoas se expressem e se mobilizem”, explicou.

Thânisia relembrou sua trajetória e a atuação de coletivos voltados para a formação de meninas e mulheres negras. Segundo ela, a iniciativa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas por estudantes da periferia no acesso e permanência na universidade. “A gente começou questionando como jovens negras da Ceilândia conseguiam chegar e permanecer na universidade. Não é só entrar, é conseguir continuar”, pontuou.

Ao abordar as transformações urbanas da cidade, a ativista destacou o papel direto da população na revitalização de espaços públicos. “A Praça do Cidadão, por exemplo, já foi um lugar marcado pela violência. Hoje, é um espaço de cultura, arte e convivência. Essa mudança veio da mobilização das pessoas, do ativismo, da ocupação cultural”, disse.

Ela também ressaltou a criação de novos espaços culturais e comunitários como reflexo dessas iniciativas, citando projetos e coletivos que ampliam o acesso à cultura e à formação. “São lugares que geram trabalho, lazer, cultura e, principalmente, permitem que as pessoas se reconheçam e se expressem”, afirmou.

Apesar dos avanços, Thânisia destacou que ainda há desafios estruturais, especialmente relacionados à mobilidade, desigualdade e acesso a direitos. “A realidade de quem sai da Ceilândia para estudar ou trabalhar continua sendo difícil. Isso precisa estar no centro do debate sobre desenvolvimento”, disse.

Para a ativista, pensar o futuro da cidade passa por conceitos como reparação, memória e justiça social. “Quando falamos em sustentabilidade, também estamos falando de garantir condições dignas de vida, de reconhecer a história da cidade e de construir um futuro mais justo para todos”, afirmou.

Thânisia reforçou a importância de incluir diferentes vozes nos espaços de decisão. “É fundamental que essas discussões considerem quem vive a cidade todos os dias. Só assim a gente consegue construir caminhos mais reais e transformadores”, reforçou.

CB.Debate

Ceilândia em Movimento ocorre na sede do Correio Braziliense e celebra os 55 anos da maior região administrativa do DF. O evento reúne lideranças políticas, do setor produtivo e da cultura para discutir o futuro da cidade, com cobertura completa em tempo real pelo site e redes sociais do jornal.

Você pode participar enviando perguntas e comentários pela hashtag #CBDebate ou acompanhar a transmissão ao vivo pelo canal oficial do Correio no YouTube. Para conferir a lista de painelistas e os destaques sobre economia, cultura e infraestrutura, acesse correiobraziliense.com.br/cidades.

 

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