CHACINA NO DF

Segundo dia de julgamento de chacina tem previsão de ouvir 10 testemunhas

Na primeira sessão, na segunda-feira (13/4), seis pessoas foram ouvidas pelo Tribunal do Júri. Os depoimentos fazem parte da fase de oitiva do processo

Réus são acusados por uma série de crimes, incluindo homicídio qualificado, extorsão, sequestro e fraude processual -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Réus são acusados por uma série de crimes, incluindo homicídio qualificado, extorsão, sequestro e fraude processual - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O julgamento do caso considerado a maior chacina do Centro-Oeste que vitimou 10 pessoas da mesma família entra no segundo dia nesta terça-feira (14/4), no Fórum de Planaltina, com a expectativa de ouvir mais 10 testemunhas ao longo do dia.

Na primeira sessão, realizada nessa segunda-feira (13/4), seis pessoas foram ouvidas pelo Tribunal do Júri. Os depoimentos fazem parte da fase de oitiva do processo, considerada fundamental para a formação do convencimento dos jurados.

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As testemunhas ouvidas incluem policiais e pessoas ligadas à investigação, que detalharam os procedimentos adotados durante a apuração dos crimes e elementos que ajudam a reconstruir a dinâmica dos fatos.

Ao todo, 23 testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento. Após essa etapa, estão previstos os interrogatórios dos réus Horácio Carlos, Gideon Batista, Carlomam dos Santos, Fabrício Silva e Carlos Henrique, que poderão optar por permanecer em silêncio ou apresentar suas versões. Os cinco são acusados por uma série de crimes, incluindo homicídio qualificado, extorsão, sequestro e fraude processual.

As 10 vítimas são: Marcos Antônio Lopes de Oliveira (patriarca); a esposa de Marcos, Renata Juliene Belchior; a filha de Marcos e Renata, Gabriela Belchior de Oliveira; o filho deles, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira; a esposa de Thiago, Elizamar da Silva; os filhos de Thiago e Elizamar, Rafael, Rafaela e Gabriel; a ex-companheira de Marcos Cláudia da Rocha Marques; e a filha de Marcos e Cláudia, Ana Beatriz Marques de Oliveira.

Relembre o caso

As investigações da Polícia Civil mostraram que Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio. Também era parte do plano dos réus subtrair valores em dinheiro da família da vítima. Para isso, o combinado inicial era matar Marcos e sequestrar pessoas da família dele.

Em 27 de dezembro de 2022, Gideon, Horácio e Carloman, acompanhados de um adolescente, foram à residência de Marcos — onde também estavam a esposa, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior de Oliveira. Marcos e as duas mulheres foram rendidos e os criminosos levaram R$ 49,5 mil.

As três vítimas foram levadas para um cativeiro preparado na região do Vale do Sol, em Planaltina. No local, Marcos foi assassinado por Gideon e Horácio. Com a ajuda de Carloman e do adolescente, o corpo foi enterrado no quintal do terreno. As mulheres permaneceram vivas no cativeiro.

Na manhã do dia, Fabrício ingressou na empreitada e assumiu a vigilância do cativeiro. O adolescente, por motivo desconhecido, fugiu do local. Renata e Gabriela foram ameaçadas para que fornecessem as senhas dos celulares e das contas bancárias delas. Com isso, o grupo começou a se passar pelas vítimas e puderam monitorar os passos de Cláudia da Rocha Marques e Ana Beatriz Marques de Oliveira. O objetivo era atraí-las para uma emboscada e subtrair R$ 200 mil referentes à venda de um lote.

Entre 2 e 4 de janeiro, Gideon, Horácio e Carloman foram à casa das duas. Elas foram rendidas, amarradas e levadas para o cativeiro onde já estavam Renata e Gabriela. As duas também foram ameaçadas para fornecer as senhas dos celulares e de contas bancárias.

O acesso aos telefones das duas mulheres levou o trio a acreditar que Thiago Gabriel Belchior poderia atrapalhar os planos. Por esse motivo, decidiram matá-lo. Em 12 de janeiro, utilizando os celulares das vítimas em cárcere, ele foi atraído à Chácara Quilombo. No local, Thiago foi rendido por Carloman e Carlos Henrique, enquanto Horácio fingia também ser vítima da abordagem. O homem foi levado ao cativeiro onde estavam as quatro mulheres.

Como havia feito antes, o grupo ameaçou Thiago para obter a senha do celular dele. Com acesso ao aparelho, entraram em contato com Elizamar com a intenção de matá-la. Eles atraíram a mulher junto aos três filhos para a Chácara Quilombo. Quando chegou, ela e as crianças foram rendidas e amarradas. Mãe e filhos foram levados a Cristalina (GO), onde foram estrangulados até a morte. Os corpos foram incinerados dentro do carro de Elizamar.

De volta ao cativeiro, Gideon, Horácio e Carloman mataram as demais vítimas. Em 14 de janeiro, Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram estranguladas até a morte e queimadas. Depois do duplo assassinato, Fabrício aparentemente se desentendeu com Gideon, Horácio e Carloman e abandonou a empreitada.

No dia seguinte, Gideon determinou que os outros dois matassem Claudia, Ana Beatriz e Thiago. Os três foram executados a facadas e arremessados em uma cisterna próxima ao cativeiro. Fabrício e Horácio voltaram ao cativeiro e atearam fogo nos objetos das vítimas com o objetivo de atrapalhar as investigações.

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postado em 14/04/2026 08:58
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