
Horácio Carlos Ferreira, réu por envolvimento na chacina que vitimou 10 pessoas da mesma família, teria sido o responsável pelo esquartejamento e desova do corpo de Marcos Antônio Lopes, uma das vítimas, alegou um investigador da Polícia Civil do DF em depoimento no Tribunal do Júri.
Segundo as investigações da PCDF à época do crime, Horácio era braço-direito de Gideon Batista, mentor do crime, e participou das execuções desde 2022. No interrogatório no plenário, o policial esclareceu que Horácio chegou a se passar por vítima durante os sequestros para encobrir a participação dele. “A participação dele foi identificada desde o primeiro sequestro (de Renata Belchior e Gabriela Belchior).
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O corpo de Marcos foi encontrado enterrado e decapitado, em uma casa localizada no Vale do Sol, entre o Vale do Amanhecer e Arapoanga, em Planaltina. A residência era a mesma onde as 10 vítimas foram mantidas em cárcere, antes de serem assassinadas.
Júri
O julgamento dos cinco acusados começou nesta segunda-feira (13/4) e deve durar sete dias. Além de Gideon e Horácio, sentam no banco dos réus Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva.
As vítimas são: Marcos Antônio Lopes de Oliveira (patriarca); a esposa de Marcos, Renata Juliene Belchior; a filha de Marcos e Renata, Gabriela Belchior de Oliveira; o filho deles, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira; a esposa de Thiago, Elizamar da Silva; os filhos de Thiago e Elizamar, Rafael, Rafaela e Gabriel; a ex-companheira de Marcos Cláudia da Rocha Marques; e a filha de Marcos e Cláudia, Ana Beatriz Marques de Oliveira.
O caso
As investigações da Polícia Civil mostraram que Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio. Também era parte do plano dos réus subtrair valores em dinheiro da família da vítima. Para isso, o combinado inicial era matar Marcos e sequestrar pessoas da família dele.
Em 27 de dezembro de 2022, Gideon, Horácio e Carloman, acompanhados de um adolescente, foram à residência de Marcos — onde também estavam a esposa, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior de Oliveira. Marcos e as duas mulheres foram rendidos, e os criminosos levaram R$ 49,5 mil.
As três vítimas foram levadas para um cativeiro preparado na região do Vale do Sol, em Planaltina. No local, Marcos foi assassinado por Gideon e Horácio. Com a ajuda de Carloman e do adolescente, o corpo foi enterrado no quintal do terreno. As mulheres permaneceram vivas no cativeiro.
Na manhã do dia seguinte, Fabrício ingressou na empreitada e assumiu a vigilância do cativeiro. O adolescente, por motivo desconhecido, fugiu do local. Renata e Gabriela foram ameaçadas para que fornecessem as senhas dos celulares e das contas bancárias delas. Com isso, o grupo começou a se passar pelas vítimas e puderam monitorar os passos de Cláudia da Rocha Marques e Ana Beatriz Marques de Oliveira. O objetivo era atraí-las para uma emboscada e subtrair R$ 200 mil referentes à venda de um lote.
Entre 2 e 4 de janeiro, Gideon, Horácio e Carloman foram à casa das duas. Elas foram rendidas, amarradas e levadas para o cativeiro onde já estavam Renata e Gabriela. As duas também foram ameaçadas para fornecer as senhas dos celulares e de contas bancárias.
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O acesso aos telefones das duas mulheres levou o trio a acreditar que Thiago Gabriel Belchior poderia atrapalhar os planos. Por esse motivo, decidiram matá-lo. Em 12 de janeiro, utilizando os celulares das vítimas em cárcere, ele foi atraído à Chácara Quilombo. No local, Thiago foi rendido por Carloman e Carlos Henrique, enquanto Horácio fingia também ser vítima da abordagem. O homem foi levado ao cativeiro onde estavam as quatro mulheres.
Como havia feito antes, o grupo ameaçou Thiago para obter a senha do celular dele. Com acesso ao aparelho, entraram em contato com Elizamar com a intenção de matá-la. Eles atraíram a mulher junto aos três filhos para a Chácara Quilombo. Quando chegou, ela e as crianças foram rendidas e amarradas. Mãe e filhos foram levados a Cristalina (GO), onde foram estrangulados até a morte. Os corpos foram incinerados dentro do carro de Elizamar.
De volta ao cativeiro, Gideon, Horácio e Carloman mataram as demais vítimas. Em 14 de janeiro, Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram estranguladas até a morte e queimadas. Depois do duplo assassinato, Fabrício aparentemente se desentendeu com Gideon, Horácio e Carloman e abandonou a empreitada.
No dia seguinte, Gideon determinou que os outros dois matassem Claudia, Ana Beatriz e Thiago. Os três foram executados a facadas e arremessados em uma cisterna próxima ao cativeiro. Fabrício e Horácio voltaram ao cativeiro e atearam fogo nos objetos das vítimas com o objetivo de atrapalhar as investigações.

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