Julgamento

"Olhar de quem implora pela vida": fala de réu em praia marca júri da chacina

Uma das testemunhas, em depoimento no plenário, relembrou um episódio em que Gideon Batista proferiu um comentário assustador, em que disse que não havia nada melhor do que um olhar de quem clama pela vida

Carlomam dos Santos, Fabricio Silva, Gideon Batista, Carlos Henrique e Horácio Carlos: no banco dos réus -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Carlomam dos Santos, Fabricio Silva, Gideon Batista, Carlos Henrique e Horácio Carlos: no banco dos réus - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O segundo dia do julgamento da maior chacina do Centro-Oeste foi atravessado por uma linha menos factual e mais subjetiva: a exposição dos perfis de personalidade dos acusados e da relação íntima que mantinham com as vítimas antes da execução em série.

Depoimentos colhidos ao longo do dia reconstruíram não apenas a dinâmica do crime, mas sobretudo, o ambiente de confiança que antecedeu a barbárie. São julgados Fabrício Silva, Horácio Carlos, Gideon Batista, Carlos Henrique e Carlomam dos Santos. Eles respondem pelos assassinatos de Marcos Antônio Lopes; da esposa de Marcos, Renata Juliene Belchior; da filha de Marcos e Renata, Gabriela Belchior de Oliveira; do filho deles, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira; da esposa de Thiago, Elizamar da Silva; dos filhos de Thiago e Elizamar, Rafael, Rafaela e Gabriel; da ex-companheira de Marcos Cláudia da Rocha Marques; da a filha de Marcos e Cláudia, Ana Beatriz Marques de Oliveira.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Ao longo desta terça-feira (14/4), testemunhas descreveram um convívio estreito entre Gideon Batista e a família assassinada — almoços, encontros informais e circulação livre entre as casas —, cenário que, para a acusação, evidencia o grau de acesso que teria facilitado a ação criminosa.

Segundo o relato do namorado de Gabriela, Gideon frequentava a casa de Gabriela, Marcos Antônio e Renata Belchior com regularidade e participava de momentos cotidianos ao lado da família.

O depoente descreveu um ambiente de convivência íntima, no qual não havia, até então, sinais evidentes de conflito. “Eles almoçavam juntos, passavam tempo juntos, assistiam filmes”, indicou, ao detalhar a relação de proximidade entre o acusado e as vítimas.

A ruptura entre essa aparente normalidade e a violência do desfecho ganhou contornos mais nítidos com relatos que buscaram delinear traços de frieza e distanciamento emocional atribuídos aos réus. Um dos episódios mais emblemáticos citados em plenário por uma das irmãs de Renata envolve uma conversa ocorrida antes dos crimes entre Gideon e uma tia da testemunha. O diálogo teria ocorrido durante uma viagem à praia, na Bahia.

Segundo a familiar, Gideon, ao ser confrontado com um comentário sobre o cenário, respondeu que nada seria mais satisfatório do que observar o olhar de alguém implorando pela própria vida no momento da morte. “Depois ligamos os pontos”, afirmou a testemunha.

Nesta quarta-feira (15/4), o júri avança para interrogatório dos réus. Às 9h, jurados, advogados de defesa e acusação e promotores esperam ouvir o depoimento dos acusados.

Ao fim do dia, o plenário já não se limitava à reconstituição dos fatos: avançava sobre o território das motivações, das condutas e das personalidades — elementos que passam a compor o pano de fundo do julgamento que, agora, entra na fase de interrogatório dos réus.

 

  • Google Discover Icon
postado em 14/04/2026 22:39 / atualizado em 14/04/2026 22:53
x