
Três distribuidoras fantasmas, localizadas em Goiás e no Distrito Federal, venderam medicações possivelmente degradadas a hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minais Gerais e DF. A Operação Alto-Custo deflagrou, nesta sexta-feira (17/4), um esquema criminoso responsável por furto e roubo de remédios destinados ao tratamento de câncer, doenças autoimunes e no tratamento de pessoas transplantadas. Os desvios podem estar acontecendo há cerca de seis anos.
Chegando a movimentar R$ 22 milhões em um ano com a venda de remédios furtados e roubados, 13 pessoas foram identificadas pela PCDF, com a colaboração da Polícia Civil do estado de Goiás. Por intermédio da 10° Delegacia de Polícia, o esquema foi desmantelado na manhã desta sexta e cinco mandados de prisão preventiva foram expedidos pelas equipes.
Segundo o delegado-chefe da 10° DP, Laércio Rosseto, o esquema furtava medicações de uma distribuidora lícita, situada no Aeroporto Internacional de Brasília. Os remédios de alto valor eram retirados do estoque e escondidos em caixas que seriam, supostamente, destinadas ao descarte. Posteriormente, os criminosos transportavam as caixas até a doca de expedição, onde essas medicações eram entregues a terceiros e levadas para as distribuidoras fantasmas, que tinham CNPJ e emitiam notas fiscais da saída desses produtos.
"Há chances de que essas medicações tenham sido distribuídas a mais estados do país. A Operação segue investigando o caso", alerta Rosseto.
Ainda de acordo com o delegado, esses medicamentos são sensíveis à temperatura e, quando armazenados de forma inadequada, podem ter o princípio ativo degradado, gerando compostos instáveis e potencialmente nocivos. Além de perderem a eficácia, esses remédios podem provocar reações adversas ou falhas graves no tratamento. "O que coloca pacientes, especialmente os mais vulneráveis, em risco de vida", alerta o delegado.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já entrou na operação e a diretoria de fiscalização em Brasília "abraçou a causa, acionando também a vigilância sanitária em São Paulo e Goiânia", segundo o delegado. Ou seja, a Anvisa está em parceria com a PCDF para ajudar na pesquisa e nos procedimentos de sua atribuição.
Entre as medicações vendidas pelo esquema criminoso estão:
- VENCLEXTA (utilizado no tratamento de cânceres sanguíneos, matando as células tumorais)
- LIBTAYO (um anticorpo monoclonal humano utilizado para imunoterapia no
tratamento de certos tipos de câncer, como carcinoma) - REBLOZIL (o princípio ativo é o luspatercepte que aumenta a produção de hemácias, sendo,
portanto, utilizado para reduzir a necessidade de transfusões de sangue em pacientes) - IMBRUVICA (é indicado para tratamento de certos tipos de cânceres do sangue, como
a leucemia linfocítica crônica, sendo anticâncer e de uso oral em cápsulas) - TAGRISSO (cujo princípio ativo é indicado para o tratamento de câncer do pulmão)

Cidades DF
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