BRB-MASTER

Auditoria do BRB aponta valorização em imóveis, mas 2 terrenos travam aporte

Relatório independente encontra R$ 400 milhões extras em sete áreas, enquanto o banco tenta viabilizar fundo imobiliário para cobrir rombo do caso Master

A auditoria independente contratada pelo Banco de Brasília (BRB) trouxe um fôlego parcial à instituição na tentativa de solucionar o rombo bilionário decorrente do caso Master. O levantamento concluiu que sete dos nove imóveis públicos destinados ao socorro financeiro valem R$ 4,2 bilhões — cifra R$ 400 milhões superior à estimativa inicial da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Entretanto, o saldo positivo não é suficiente para compensar a lacuna deixada por outros dois terrenos que, devido a complexidades jurídicas e ambientais, foram classificados como "avaliações atípicas" e seguem sem precificação definida.

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Diante do impasse técnico e da baixa atratividade comercial, a governadora Celina Leão (PP) decidiu retirar da lista a Serrinha do Paranoá. A área, avaliada originalmente em R$ 2,2 bilhões, representava o ativo mais valioso do pacote, mas sua natureza de preservação ambiental inviabiliza projetos imobiliários e vendas futuras. Outro gargalo é o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), avaliado em R$ 491 milhões, que sofre com problemas estruturais e um imbróglio jurídico que impede sua utilização desde 2014.

Para tentar conferir liquidez ao aporte, a cúpula do BRB iniciou conversas com empresários dos setores de construção civil e imobiliário. O objetivo é estruturar um fundo de investimento que permita a exploração desses ativos, utilizando o diagnóstico do mercado como argumento para convencer acionistas sobre a viabilidade da operação.

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O banco, que voltou a atrasar a divulgação de seu balanço anual, agendou uma assembleia de acionistas para o dia 22, na qual buscará formalizar o aporte de capital necessário para estabilizar as contas sob o olhar atento do Banco Central.

O cenário de incerteza sobre a governança e a solvência da instituição tem elevado a pressão regulatória. Interlocutores próximos ao processo indicam que o Banco Central monitora rigorosamente a capacidade do BRB de sanear seu balanço sem depender exclusivamente de ativos imobiliários de difícil alienação.

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A autoridade monetária sinaliza que, caso as soluções de capitalização não se mostrem robustas e imediatas, medidas administrativas mais severas podem ser adotadas, refletindo o rigor aplicado em casos recentes de liquidação no setor financeiro. O mercado aguarda agora a definição sobre quais ativos substituirão a Serrinha do Paranoá para que o montante total do aporte seja atingido.

Com informações da Agência Estado. 

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