A tarde desta Sexta-Feira Santa (3/4) no Morro da Capelinha é marcada por um misto de devoção e organização reforçada na segurança. Enquanto o cardeal arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, preside a missa que antecede o espetáculo, autoridades acompanham de perto a mobilização que para o Distrito Federal. Presente no evento, a governadora Celina Leão destaca o caráter suprarreligioso da celebração. "É uma festa que tem muita fé, realizada há mais de 30 anos, onde o povo relembra aquele que deu a vida por nós. Quem nunca veio, deveria vir. Não é sobre religião ou igrejas, mas sobre aquele que está acima de todo nome", afirma.
Para garantir que a emoção não seja interrompida por incidentes, a Secretaria de Segurança Pública montou uma operação reforçada. Segundo o secretário em exercício, Alexandre Patury, o efetivo ultrapassa mil profissionais, entre 700 policiais e 250 bombeiros, apoiados por tecnologia de reconhecimento facial e drones oficiais. "Trabalhamos para que as pessoas venham seguras. Nossa atenção é permanente, inclusive na dispersão, para evitar crimes de oportunidade como furto de celulares", alerta Patury, reforçando que o uso de drones não autorizados está proibido por segurança.
A essência do espetáculo, no entanto, reside no voluntariado e na história da própria comunidade. O ex-secretário de Cultura, Cláudio Abrantes, que este ano interpreta o apóstolo André, personifica essa dedicação há 35 anos. "A Via-Sacra tem um olhar de longevidade alicerçado na fé. Valorizamos a prata da casa; o próprio Rafael (que interpreta Jesus) veio da Via-Sacra da Criança. Não encenamos apenas um texto, acreditamos no que fazemos", relata Abrantes, que define o grupo como um dos maiores do mundo.
Além do impacto espiritual, o administrador regional de Planaltina, Wesley Fonseca, pontua a relevância econômica da encenação. "A Via-Sacra mexe com toda a comunidade. O comércio e os ambulantes ganham muito. A cidade está preparada para acolher quem vem em busca de milagres ou apenas para apreciar o espetáculo", frisa.
Segurança e infraestrutura
Para garantir a tranquilidade dos fiéis, o GDF opera sob o Protocolo de Operações Integradas (POI). A estratégia centraliza o atendimento na Cidade da Segurança Pública, com monitoramento em tempo real. A Polícia Militar (PMDF) atua com unidades especializadas, como Cavalaria e Batalhão de Trânsito, realizando revistas em pontos estratégicos. O público conta ainda com a Sala Lilás Itinerante para apoio a mulheres e uma unidade para identificação de crianças. O Corpo de Bombeiros (CBMDF) mantém 215 militares e 25 viaturas prontos para atendimentos e salvamentos no terreno íngreme.
Recomenda-se o uso de protetor solar, roupas leves e hidratação constante. O uso de drones particulares é proibido. Em emergências, deve-se procurar os postos médicos ou acionar o 193.
O Morro da Capelinha é o epicentro da devoção no DF nesta Sexta-Feira Santa, com a expectativa de reunir uma multidão que pode superar os recordes anteriores. Após atrair 100 mil pessoas em 2024 e alcançar a marca de 150 mil fiéis em 2025, o espetáculo de 2026 encerra a programação religiosa com fôlego renovado.
Mantendo uma tradição que resiste desde 1973, a encenação da Paixão de Cristo em Planaltina mobiliza o Grupo Via Sacra ao Vivo, que conta com uma equipe de 1.400 colaboradores — sendo 1.100 atores dedicados a dar vida aos personagens bíblicos.
O ápice das celebrações começou oficialmente às 15h, com a Celebração da Santa Cruz, seguida pelo início do espetáculo que, ao longo de quatro horas, reproduz os momentos cruciais da narrativa cristã: julgamento, prisão, crucificação, morte e ressurreição.
Nesta edição, a jornada de 800 metros é guiada pelo tema "Nada te aflija! Não estou aqui eu que sou tua mãe?", inspirado em Nossa Senhora de Guadalupe, consolidando o evento como um dos maiores patrimônios culturais e religiosos do Brasil.
