BRB-MASTER

Prestação de contas do BRB à CLDF é adiada e convite deve virar convocação

Presidente do BRB, Nelson de Souza, compareceria nesta terça-feira (7/4) à Câmara Legislativa para esclarecer sobre a situação do banco, mas adiou a participação. Relatório de auditoria independente trará detalhes sobre a compra dos títulos do Master

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e o secretário adjunto de Economia do DF, Daniel Izaías, adiaram a ida à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Eles participariam, nesta terça-feira (7/4), de uma audiência pública na comissão para prestar esclarecimentos sobre a situação do banco. O convite foi feito pelo presidente da comissão, o deputado distrital Thiago Manzoni (PL). 

Na agenda da CLDF, a pauta está descrita como uma audiência pública para debater a “situação financeira do BRB, as necessidades de aporte na instituição pelo acionista controlador, as investigações envolvendo a operação fracassada de aquisição do Banco Master e as medidas de governança adotadas pela instituição”.

A ideia era que os convidados respondessem às perguntas dos deputados distritais. Além dos parlamentares que compõem a comissão, outros distritais interessados em participar da audiência pública poderiam fazer perguntas. 

De acordo com Nelson, a participação na sabatina foi adiada por conta de “várias reuniões, em comum acordo com o presidente da CCJ”. Thiago Manzoni informou, no entanto, que irá apresentar requerimentos à comissão para transformar os convites em convocação. A expectativa é de que eles sejam votados na sessão des ta terça (7/4).

Sobre esse possibilidade, o presidente do BRB alegou que “sempre cumpre as regras e sempre foi muito respeitado pelos deputados que compõem a CLDF”. “Será um prazer participar”, completou.

Oportunidade

Em entrevista ao CB.Poder, na semana passada, Manzoni afirmou que o encontro seria uma oportunidade para que os representantes do Executivo respondessem às dúvidas sobre a situação financeira do banco, de forma similar ao que foi feito em reunião com deputados distritais antes da votação do Projeto de Lei nº 2.175/2026, conhecido como PL de socorro ao BRB. “Agora eles devem falar à população o que está acontecendo, para que o povo tire suas próprias conclusões”, disse. 

Para Thiago Manzoni, o BRB desempenha papel estratégico na execução de políticas públicas, na gestão da folha de pagamento de servidores, na operacionalização de contratos administrativos e na concessão de crédito a cidadãos e empresas. “O Distrito Federal continua devendo explicações à população. O que nós queremos é que essas explicações sejam dadas de forma pública. Tudo tem que ser exposto publicamente para que as pessoas possam chegar às suas próprias conclusões”, ponderou.

Na quinta-feira, a CCJ realizará audiência para ouvir o diretor-presidente da Terracap, Izidio Santos Junior, que vai prestar informações acerca dos imóveis listados na Lei nº 7.845/2026. A norma, aprovada pela CLDF em 3 de março, visa capitalizar o BRB após os prejuízos nos negócios com o Banco Master.  A lei prevê uma série de medidas para aporte no banco estatal, como a obtenção de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e a utilização de nove imóveis públicos. 

Relatório

O prazo para entrega do relatório da auditoria independente contratada pelo BRB terminou nessa segunda-feira (6/4). Ao Correio, o presidente Nelson de Souza informou que o relatório será entregue às autoridades competentes, isto é, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Polícia Federal (PF). O Banco Central (BC) também receberá uma cópia. A investigação independente foi conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll Brasil.

O relatório trará a análise de todas as operações internas que resultaram na compra de títulos podres do Banco Master pelo BRB. 

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