O atropelamento de uma onça-parda na L4 Norte, ocorrido nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB), reacendeu o debate sobre a convivência entre a fauna silvestre e a expansão urbana no Distrito Federal. O animal, uma fêmea jovem com idade estimada entre seis meses e um ano e peso aproximado de 25 kg, morreu no local após ser atingido por um carro na noite dessa segunda-feira (6/4).
Segundo o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), o condutor relatou que o felino surgiu repentinamente da vegetação, impossibilitando qualquer manobra de desvio. O motorista permaneceu no trecho, acionou as autoridades e não sofreu ferimentos, apesar dos danos visíveis no veículo.
A ocorrência mobilizou equipes técnicas que encaminharam o corpo do animal para o laboratório da UnB, onde passará por procedimentos científicos para confirmar dados precisos sobre seu porte e saúde. "O cadáver foi entregue para que fosse feita uma necropsia, visando elucidar as alterações encontradas que resultaram na morte, assim como registrar informações biológicas e científicas importantes", explica o professor Márcio Botelho de Castro, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB.
Um dos pontos centrais da investigação é determinar se o felino é o mesmo avistado por moradores da QL 13 do Lago Norte no último fim de semana, cujos vídeos viralizaram e causaram apreensão na comunidade. Embora as características físicas e a proximidade geográfica sugiram uma conexão, o BPMA ressalta que apenas a análise técnica poderá confirmar se se trata do animal que já vinha sendo monitorado por órgãos ambientais.
Especialistas do batalhão explicam que o surgimento de onças-pardas em áreas residenciais e vias de grande fluxo é um reflexo direto da fragmentação de habitats e da busca dos animais por alimento e água. Por possuírem uma ampla área de deslocamento, esses felinos utilizam corredores ecológicos que, muitas vezes, são cortados por rodovias.
"O aparecimento pode ocorrer devido à expansão urbana e à proximidade de áreas verdes. Embora não seja rotineira, registros esporádicos podem acontecer em regiões próximas a áreas naturais do DF", informou o BPMA. A orientação para a população é manter distância caso aviste animais silvestres e acionar imediatamente os órgãos ambientais pelo número 190 ou 197.
