Brasília 66 anos

'Vocação de Brasília é a convergência', destaca atriz Maria Paula

Durante fala no primeiro painel do evento promovido pelo Correio, a artista defendeu o fortalecimento do sentimento de pertencimento entre os 3 milhões de moradores do Distrito Federal

No primeiro painel do CB.Debate “Brasília 66 anos: Uma cidade em constante transformação”, intitulado A cidade que se construiu além do Plano Piloto, a atriz e psicóloga Maria Paula Fidalgo destacou o papel da capital como espaço de integração, diversidade e construção coletiva. Em uma fala marcada por reflexões sobre identidade e saúde mental, ela defendeu o fortalecimento do sentimento de pertencimento entre os mais de 3 milhões de moradores do Distrito Federal.

“Eu sou uma artista de Brasília, eu nasci aqui nessa cidade e sinto um amor imenso por esse Planalto Central, por essa terra vermelha, por esse céu maravilhoso que é o nosso mar”, afirmou.

Ao abordar o que chamou de dimensão simbólica da capital, Maria Paula destacou a força social e cultural da população. “Vou falar um pouco sobre essa dimensão simbólica, desse soft power imenso que é o povo de Brasília, esses mais de 3 milhões de potências, de histórias, de talentos que precisam ser integrados nessa grande Brasília”, afirmou.

A atriz ampliou o olhar sobre a cidade, incluindo regiões além do centro político-administrativo. “Desde aquele que está lá no Sol Nascente, até aquele que está no Valparaíso, esses que estão no Plano Piloto ou os que estão na Estrutural, somos todos Brasília e trazemos todos essa vocação desse povo cujo DNA é a mistura de todos os estados do país, de todas as culturas, todas as crenças, todos os talentos", destacou.

Ao relembrar a infância, ela destacou a convivência com diferentes origens como elemento formador da identidade brasiliense. “Eu chamava de tio aquele cara que era o vizinho que veio lá do Nordeste, chamava de tia aquela outra moça que veio lá do Sul e todos eles fizeram parte da minha formação, não só intelectual, mas simbólica, da minha formação afetiva", contou.

Para Maria Paula, essa diversidade é a base de uma vocação voltada à convivência e à integração. “Brasília é uma cidade cuja vocação é da convergência. Não é tratar o outro, o diferente como algo que traga conflito. Pelo contrário, o que a gente faz é integrar", destacou.

Ela defendeu que, aos 66 anos, a capital precisa amadurecer esse olhar inclusivo. “O convite que eu faço hoje é para que a gente possa pensar em formas de trazer essa inclusão, para que todos esses jovens, todas essas crianças, todos esses adultos, todos esses velhinhos que estão em todos os lugares possam se reconhecer nesse povo potente de Brasília", ressaltou.

Maria Paula destacou a importância de transformar essa integração real em reconhecimento simbólico. “Na prática, a cidade já tem essa integração. A gente precisa trazer isso para o simbólico, para o nosso sentimento de pertencimento enquanto povo brasileiro", afirmou.

A atriz citou o escritor José Saramago para reforçar a necessidade de autoconhecimento e equilíbrio. “Não tenhas pressa, pois onde tens a ir é a ti mesmo”, disse, ao defender que o fortalecimento interno pode contribuir para uma sociedade mais pacífica.

“Quando a gente integrar tantas essências incríveis, tantos talentos incríveis que temos nesses 3 milhões de brasilienses, a gente vai poder cumprir a nossa sina: ser o sonho que foi pensado para nós”, concluiu.

Brasília 66 Anos

Gratuito e aberto ao público, o debate “Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação” reúne autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos políticos, econômicos e sociais da capital. O encontro ocorre no auditório do Correio Braziliense, com transmissão ao vivo nos canais do jornal, e propõe uma reflexão sobre as mudanças que marcaram a cidade ao longo das últimas décadas. A iniciativa busca promover o diálogo e contribuir para o planejamento do futuro de Brasília.

 

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