Nas últimas semanas, dezenas de espécies de lagartas venenosas foram recolhidas em um quintal de uma residência no Lago Sul. O morador acionou a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) após identificar os animais peçonhentos em uma área verde próxima de casa. A ação mobilizou equipes da Secretaria de Saúde do DF, responsáveis pela coleta e encaminhamento dos espécimes, considerados perigosos para a população.
De acordo com a pasta, somente em 2026, já foram recolhidas 97 lagartas. O número reforça a importância do monitoramento e da participação da população na identificação desses animais, que podem causar acidentes graves. “Um acidente vai acontecer, então o serviço de saúde precisa ter sempre o soro antiveneno disponível. A matéria-prima é a própria lagarta. Por isso, é preciso recolher o maior número desse animal. Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, explicou Israel Moreira, biólogo da Dival.
O especialista destacou que a lagarta do gênero Lonomia é considerada a mais perigosa para os seres humanos. O contato com suas cerdas pode inocular veneno capaz de provocar complicações severas, como hemorragias e, em casos extremos, até a morte.
Antídoto
Após a coleta realizada no Lago Sul, o material foi rapidamente transportado para o Instituto Butantan, em São Paulo, onde é utilizado para a produção de um soro antilonômico. Esse antídoto é específico para tratar envenenamentos causados por esse tipo de lagarta, e o Brasil é o único país responsável por sua fabricação.
O processo de produção do antiveneno envolve o corte e a maceração das cerdas do animal. Diferentemente de outros peçonhentos, como serpentes e escorpiões, que podem ser mantidos em ambientes controlados para extração de toxinas, as lagartas precisam ser constantemente repostas. “Precisamos do apoio da população para realizar a coleta desses animais. Essa é a única forma de produzir o soro. Por isso, cada lagarta recolhida é tão importante”, reforçou o biólogo.
Cuidados
Os acidentes com lagartas geralmente acontecem quando há contato direto com o animal, que costuma viver em árvores ou vegetações. Por conta da coloração, elas se camuflam com facilidade nos troncos, o que dificulta a identificação. Um dos indícios da presença da espécie são as folhas parcialmente consumidas e fezes acumuladas.
A pasta recomenda que atividades comuns, como colher frutas, encostar em árvores ou circular por áreas com vegetação, sejam realizadas com atenção redobrada. Uma das medidas recomendadas é o uso de luvas, medida simples que pode reduzir o risco de acidentes.
Serviço
Para a identificação e recolhimento de animais peçonhentos, a recomendação é entrar em contato com os Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental em Saúde. Em caso de acidente, a vítima deve ser encaminhada imediatamente a uma unidade de saúde e também deve ser acionado o Centro de Informação e Assistência Toxicológica. Sempre que possível, o registro fotográfico do animal pode ajudar no tratamento.
Os soros antivenenos são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com fornecimento organizado pelo Ministério da Saúde conforme a ocorrência de casos em todo o país.
