
Manuela Sá*
Uma nova calculadora desenvolvida na Universidade Católica de Brasília, que pode ajudar a prevenir e a alertar sobre doenças cardiovasculares, foi tema, nesta quinta-feira (7/5), do programa CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte, o cardiologista Luiz Sérgio Carvalho, um dos criadores da ferramenta, explicou como ela funciona e quais são suas vantagens. Confira, a seguir, os principais trechos da conversa.
Como funciona essa ferramenta?
A Clarity Prevention foi criada para que o médico tenha uma capacidade mais direta de calcular risco de saúde para o paciente e tenha condutas mais mapeadas e diretas para tratar os casos. A premissa para a gente criar essa calculadora surgiu porque, no mundo inteiro, existe uma dificuldade do médico em tratar bem as doenças metabólicas, como obesidade, hipertensão, diabetes e as doenças do colesterol. E qual é o grande problema? Em primeiro lugar, o diagnóstico. Embora a gente tenha avançado muito em fazê-lo, as pessoas não têm uma consciência tão clara de como tratar. Uma pessoa com diabetes, por exemplo, dificilmente sabe que a meta dela de hemoglobina glicada é 7 ou 7,5 ou uma pessoa que tem infarto prévio ou AVC, dificilmente, sabe que a meta de colesterol LDL é de 40. Isso é justamente algo que a gente tenta abordar na calculadora, dando não só uma estimativa do risco, como também indicando qual é a meta e o melhor tratamento.
O paciente tem acesso a essas informações depois que ele sai da consulta?
No momento, temos a ferramenta desenvolvida para o médico. A interface para o paciente está em fase final de validação e está quase em lançamento. Dessa forma, as pessoas terão acesso às recomendações de tratamentos medicamentosos e de estilo de vida. Elas terão, por exemplo, sugestões de atividade física de forma precisa com quantitativo semanal, com os tipos de ideais, assim como de dieta. Então, a calculadora não é só um cálculo de risco, ela é também um conjunto de iniciativas para melhorar a saúde.
A gente pode dizer que essa ferramenta é um caminho para oferecer uma conduta mais personalizada, considerando, inclusive, a característica dos brasileiros?
Com certeza. Na verdade, uma grande dificuldade quando a gente fala de usar calculadoras feitas no exterior é a questão da língua. Nem sempre é fácil o médico entender o que está sendo colocado ali para calcular o risco ou o output, ou seja, a recomendação dada. Ao mesmo tempo, o nosso público médico precisa, às vezes, mostrar o cálculo ao paciente para convencê-lo de que ele precisa usar uma certa medicação. Mostrar o cálculo de risco em português é algo importante e, sobretudo, é uma forma de a gente levar dicas diretas para ele de forma digital. Eu diria que a gente não só aportuguesou uma calculadora de risco como fez algo que, mesmo no exterior, não existe ainda: um cálculo de risco alinhado, focado em hipertensão, em diabetes, em tabagismo, em todo o complexo metabólico e não só um cálculo de risco focado em colesterol.
Uma das vantagens dessa nova ferramenta é o manejo da inércia terapêutica. O que é isso?
A inércia terapêutica é quando a gente vê casos que são manejados pelo médico de forma subótima (abaixo de um nível ótimo ou que não apresenta a melhor qualidade possível). Em boa parte das vezes, o paciente tem comorbidades, tem dificuldades para você manejar, às vezes, por efeito colateral a uma ou outra medicação, e o médico, apesar de não ter atingido as metas para aquele paciente, como a de glicemia, interrupção do fumo, ou controle do colesterol conforme o manual sugere, assume que está em uma zona de conforto e acaba não intensificando o tratamento como deve. Esse paciente vai ter risco maior de ter complicações cardiovasculares. Então, a calculadora tenta desviar disso, dando recomendações diretas para que você consiga vencer essa inércia.
O médico pode baixar essa ferramenta? Como está a adesão da classe médica, dos cardiologistas, nesse sentido?
Até o momento, a gente tem quase 50 mil utilizações da ferramenta. Temos mais de 8 mil usuários frequentes. Para usar, basta baixar pelo App Store ou Google Play, ou entrar no site clarityprevention.com.br. Ela é gratuita e é preciso ter um CRM para que nós tenhamos o controle do médico que está usando.
*Estagiária sob supervisão de Tharsila Prates

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